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Nigéria nega sequestro de cristãos e é acusada de mentir

Sequestro em três igrejas no Kaduna envolve entre 100 e 177 cristãos, com autoridades locais inicialmente negando o episódio e relatos conflitantes

Governo faz operação e resgata 38 fiéis sequestrados na Nigéria
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  • Suspeitos de milícias Fulani teriam invadido três igrejas em Kurmin Wali, Kajuru, Kaduna, durante cultos pela manhã no último domingo.
  • O número de sequestrados varia entre 100 e 177, com relatos de fugas entre 9 e 11 conforme a fonte.
  • Testemunhas dizem que fiéis foram levados para áreas de mata; há relatos de campos onde reféns seriam mantidos.
  • A polícia de Kaduna negou os sequestros, qualificando as informações como “mentira completa” e sem registros oficiais.
  • Organizações internacionais afirmam ter listas de reféns e dizem ter sido impedidas de chegar à vila por bloqueios.

Três cultos cristãos foram invadidos simultaneamente por suspeitos de integrar milícias Fulani no estado de Kaduna, no norte da Nigéria, no último domingo. O ataque ocorreu na vila de Kurmin Wali, no distrito de Kajuru, durante celebrações pela manhã. Centenas de fiéis foram rendidos e levados para áreas de mata. Autoridades locais negam inicialmente o ocorrido.

As informações sobre o número de sequestrados divergem. O deputado estadual Usman Danlami Stingo disse à AP que 177 pessoas foram capturadas, com 11 tendo escapado. O deputado federal Felix Bagudu, após reunião com autoridades, afirmou ao Truth Nigeria que o total não deve passar de 100. O presidente da CAN no norte, Joseph John Hayab, informou que 172 cristãos teriam sido sequestrados, com nove fugas confirmadas.

Dados e relatos dos testemunhos

Relatos de sobreviventes situam os ataques no bairro Afago, a cerca de 13 quilômetros ao sul de Maro. Testemunhas dizem que militantes invadiram três igrejas durante os cultos, rendendo fiéis e levando-os a áreas remotas. Alguns agressores usavam túnicas pretas, outros uniformes camuflados semelhantes aos do Exército, porém desgastados.

Uma fiel da ECWA relatou ter escapado com o filho de 10 anos por uma janela. Ela disse que os homens chegaram atirando por volta das 10h, ordenaram que todos se ajoelhassem e posteriormente retiraram os fiéis à força. Os relatos indicam que jovens, idosos e pessoas com deficiência foram mantidos sob controle.

Reação de autoridades e contexto regional

O comissário de Kaduna, Muhammad Rabiu, negou os sequestros, dizendo não haver registros oficiais e classificando as informações como mentirosas. Autoridades locais chegaram a afirmar tratar-se de alarmismo.

A CSW afirmou ao The New York Times possuir uma lista preliminar de reféns, sujeita a confirmação familiar. Segundo a organização, bloqueios militares teriam dificultado o acesso à vila, mas contatos telefônicos com fiéis confirmaram o repasse de informações sobre a captura.

Contexto de violência religiosa e conflito agrário persiste na Nigéria. Dados de observatórios apontam impactos severos de milícias étnicas e grupos armados, com altas taxas de civis mortos entre 2019 e 2023. Relatos independentes destacam que disputa por terras e expansão de grupos jihadistas alimentam ataques a comunidades cristãs.

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