- Rumen Radev pediu demissão do cargo de presidente em 19 de janeiro, em retirada inédita após quatro anos de governos fracos e eleições antecipadas, dizendo que a democracia precisa ser protegida.
- Ele é visto como provável criador de um novo partido e disputa as próximas eleições parlamentares, com pesquisas apontando-o como o político mais popular da Bulgária.
- O país enfrenta acusações de corrupção, uso indevido de fundos da União Europeia, queda constante da participação eleitoral (abaixo de 35% em 2024) e protestos contra elites políticas.
- Analistas apontam que Radev pode formar aliança com o PP-DB, grupo reformista, mas há discordâncias sobre relação com a Rússia, adoção do euro e posição em relação à Ucrânia.
- Questões envolvendo seu passado, como governos interinos chefiados por ele e um acordo de gás de 2023 sob investigação, geram ceticismo sobre seu compromisso com reformas.
Rumen Radev deixou a presidência da Bulgária em uma decisão sem precedentes, anunciando a renúncia nesta segunda-feira, encerrando um ciclo marcado por governos instáveis e novas eleições. A fala televisiva dele apontou para a necessidade de mudanças profundas na política do país.
O ex-chefe de Estado, ex-comandante da força aérea, ocupou o cargo desde 2016 e atuou, nos últimos anos, como figura acima da política partidária, nomeando governos interinos quando necessário. Agora, segundo pesquisas, ele é visto como o político mais popular da Bulgária.
Radev não confirmou a criação de um novo partido na coletiva, mas o cenário aponta para a formação de uma legenda própria e a intenção de concorrer às próximas eleições parlamentares, previstas para a primavera.
A crise política e o desgaste com a elite governante levaram a protestos pró-transparência e anticorrupção, que derrubaram o último governo em dezembro. O pleito deve ocorrer em meio a acusações de desvio de fundos da UE.
Os problemas econômicos persisteis incluem trechos de cifras relativas a auditorias de fundos europeus, com denúncias de contratos públicos manipulados e queda de participação eleitoral, que caiu abaixo de 35% no pleito de 2024.
Analistas apontam que Radev terá que formar uma coalizão para obter apoio parlamentar, com possibilidades envolvendo o PP-DB, visto como crítico à corrupção, ainda que haja divergências sobre Rússia e a adoção do euro.
Ainda, a posição de Radev sobre a Ucrânia, a moeda única e outros temas sensíveis pode influenciar aliados potenciais. Ele já recebeu questionamentos sobre o papel da Rússia e acordos energéticos durante governos que nomeou.
Parvan Simeonov, da agência de pesquisas Myara, disse que Radev oferece mudança e previsibilidade, mas existem questões a esclarecer para os eleitores. A formação de uma coalizão está entre os próximos passos.
A banca pública e a percepção de desempenho na coleta de impostos e licitações continuam sob escrutínio. O Legislativo e a Justiça deverão trabalhar juntos para enfrentar casos de corrupção no país.
Entre na conversa da comunidade