- O governo sírio, liderado por Ahmed al-Sharaa, avançou sobre territórios controlados pela SDF curda, reconfigurando o mapa do país com apoio dos EUA.
- Reuniões fechadas ocorridas em Damasco, Paris e Iraque, em janeiro, abriram espaço para a ofensiva e para que Sharaa consolidasse o domínio sobre todo o território sírio.
- Os EUA sinalizaram não se opor à operação, sinalizando uma parceria com o estado sírio em vez de manter um papel separado para a SDF.
- A relação com a SDF mudou após o anúncio de que Washington protegeria civis curdos e a custódia de detidos do Estado Islâmico, embora houvesse pressões para frear avanços.
- Na etapa final, Sharaa anunciou um cessar-fogo condicionando a continuação da ofensiva a uma proposta de integração da SDF, o que, segundo fontes, satisfez a administração dos EUA.
O governo sírio, liderado por Ahmed al-Sharaa, lançou uma ofensiva rápida para retomar territórios controlados pela Federação Democrática da Síria, dominada curdo. O avanço ocorreu após uma sequência de reuniões estratégicas em Damasco, Paris e no Irã no início de janeiro. A operação deslocou o eixo de poder no nordeste do país, afectando a aliança com os Estados Unidos.
A ofensiva foi preparada em encontros fechados com participantes que não concordavam em público com o planejamento, segundo fontes que falaram anonimamente à Reuters. O objetivo central foi unificar todo o território sírio sob o governo de Damasco, reduzindo a autonomia cedida aos curdos desde o início da década.
As negociações começaram a ganhar impulso após a conclusão de um acordo em Paris, que, segundo fontes, autorizou a operação. Em seguida, o governo sírio recebeu sinais de apoio de Turquia, com garantias de proteção a civis curdos. A ofensiva avançou apesar de objeções de Washington, que buscava evitar violência contra civis e preservar centros de detenção de jihadistas.
Contexto e mudanças no equilíbrio
A relação entre o EUA e as Forças Democráticas Sírias, criada em 2015 para expulsar o Estado Islâmico, passa por uma revisão. O objetivo de Washington, segundo diversas fontes, é evitar um papel militar prolongado na região e priorizar o retorno de Damasco como parceiro-chave.
Reações e condições dos EUA
Relatos indicam que, na prática, o apoio dos EUA aos curdos foi reavaliado durante o mês de janeiro. O enviado americano a assuntos sírios indicou que os interesses dos EUA estavam com o governo de Sharaa, não com a SDF, de acordo com fontes próximas às discussões. O Departamento de Estado reiterou a posição de promover a integração da SDF a Damasco, sem interesse em presença militar duradoura.
Desdobramentos operacionais
A pressão militar síria levou ao encerramento de zonas autônomas curdas, com cidades-chave cercadas na região nordeste. Em resposta, as forças da coalizão pediram a suspensão dos avanços e houve ações de alerta aéreo em áreas sensíveis. O governo sírio anunciou um cessar-fogo condicional, vinculando-o a propostas de integração até o final da semana.
Cenário futuro
Com a aproximação das últimas posições curdas, o governo sírio sinalizou disposição para negociar um caminho de integração governamental. As autoridades ocidentais destacam que a situação continua suscetível a mudanças rápidas e a necessidade de proteção de civis, especialmente de minorias.
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