- Taahra Ghazi e Hannah Bond, novas co-diretoras-executivas da ActionAid Reino Unido, anunciam que a organização vai repensar o patrocínio de crianças e “descolonizar” o trabalho, mudando o foco de caridade para parcerias e financiamento de base.
- O modelo atual de patrocínio individual, que permite escolher uma criança para apoiar, é visto como paternalista e racializado; a meta é torná-lo mais reflexivo das comunidades atendidas.
- A organização pretende criar financiamento de longo prazo para grupos comunitários e lançar um fundo específico para direitos das mulheres, em resposta a ataques ao movimento pró-direitos.
- Atualmente, o patrocínio de crianças representa cerca de 34% dos recursos globais da ActionAid; a transição envolverá mudanças nos sistemas, na forma de captação de recursos e na compra de serviços até 2028.
- Especialistas ouvidos ressaltam críticas ao modelo de patrocínio infantil, chamado de “pobreza pornográfica”, defendendo modelos educativos e de bem-estar promovidos por estados, sem substituir responsabilidades de políticas públicas.
ActionAid UK anuncia revisão do modelo de patrocínio infantil como parte de uma ofensiva para descolonizar o trabalho da ONG. A iniciativa, liderada pelos co-diretores-executivos Taahra Ghazi e Hannah Bond, visa transformar a forma como a organização recebe recursos, buscando maior participação de comunidades locais e movimentos sociais.
Segundo Ghazi, o patrocínio que permite escolher uma criança em países pobres pode reforçar dinâmicas raciais e paternalistas. A nova gestão afirma que o modelo atual reflete um tempo passado e precisa evoluir para padrões de solidariedade e parceria com movimentos globais.
A organização já patrocina crianças em 30 países, respondendo por cerca de 34% dos recursos globais da ActionAid, conforme informações fornecidas pela liderança. A meta é transformar estruturas, fontes de renda e contratações até 2028, priorizando modelos moldados pelas vozes das comunidades atendidas.
Transformação institucional
Bond disse que a mudança envolve ouvir comunidades na Africa, na Asia e na América Latina para desenhar um modelo de financiamento mais alinhado com suas realidades. A ideia é apoiar grupos comunitários de base por meio de fundos de longo prazo.
Ambos ressaltaram que o apoio aos patrocinadores permanece importante, mantendo o objetivo de causar impacto real. O foco é ampliar o financiamento a redes feministas e grupos de direitos das mulheres, diante de ataques a esse campo globalmente.
A dois passos da implementação, a equipe projeta o fortalecimento de parcerias com organizações da sociedade civil e a criação de fundos específicos para direitos das mulheres em contextos desafiadores. A estratégia envolve redes de pessoas que arrecadam recursos de forma coletiva.
Especialistas independentes ouvidos pela imprensa destacam que o modelo de patrocínio individual pode perpetuar visões desiguais. Defendem que educação, bem-estar estatal e serviços públicos devem ser as bases das políticas de ajuda, não a caridade personalizada.
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