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ActionAid revisa patrocínio infantil como parte da descolonização

ActionAid reavalia patrocínio infantil, busca descolonizar o trabalho e apoiar financiamento a base, com foco em parcerias e solidariedade

An ActionAid photo from Pallisa, Uganda. Taahra Ghazi, co-CEO, said asking donors to ‘choose a picture of a brown or black child … is a very transactional relationship’.
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  • A ActionAid UK nomeou Taahra Ghazi e Hannah Bond como co‑ceos, anunciando uma revisão do patrocínio de crianças para “descolonizar” o trabalho da organização.
  • Fundada em 1972, a ActionAid já utilizou patrocínios de crianças em trinta países, que correspondem a about 34% dos recursos globais da entidade.
  • A remodelação vai até 2028, incluindo mudanças nos sistemas, na forma de financiar e na forma de contratar serviços, com foco em dar voz às comunidades atendidas.
  • A ideia é ampliar o financiamento de base, com mais parcerias com movimentos e organizações da sociedade civil, além de criar um fundo específico para grupos de direitos das mulheres sob ataque.
  • Críticos e especialistas apontam que o modelo tradicional de patrocínio pode ser racista e paternalista, defendendo alternativas que priorizem educação, bem‑estar e saúde via estados e políticas públicas.

ActionAid UK anuncia mudança de rota para o financiamento e o engajamento com as comunidades, buscando descolonizar o trabalho da organização. As novas co-chefes, Taahra Ghazi e Hannah Bond, apresentam a transformação como foco central, explorando modelos de apoio que vão além do patrocínio individual de crianças.

A proposta envolve reduzir a dependência de doadores que escolhem crianças em países pobres, buscando ampliar a participação de movimentos locais, organizações da sociedade civil e comunidades impactadas. O objetivo é refletir necessidades reais das regiões atendidas, com maior participação comunitária.

A mudança foi anunciada neste mês, quando as novas líderes assumem a gestão. A meta é alinhar estratégias de captação com práticas que promovam solidariedade e parceria mundial, mantendo o compromisso com os financiamentos de longo prazo.

Segundo Ghazi, o modelo de patrocínio infantil, que tem origem em 1972, é visto como desatualizado e pode reforçar relações transacionais e paternalistas. A instituição pretende reformular processos, finanças e contratações para incorporar vozes locais.

Bond ressalta que a evolução busca fortalecer a participação de organizações locais na definição de prioridades, assegurando que o apoio financeiro seja direcionado de forma mais direta a mudanças sustentáveis. O objetivo é manter o apoio aos parceiros sem perder o foco em impacto concreto.

Atualmente, o patrocínio de crianças em 30 países representa cerca de um terço dos recursos globais da ActionAid, segundo Ghazi. A instituição já financia projetos comunitários em vez de apenas apoiar diretamente a criança, de acordo com a prática interna.

A organização planeja até 2028 transformar seus sistemas e formas de aquisição de serviços, com uma governança mais orientada pela voz das comunidades. A iniciativa inclui a criação de fundos dedicados a redes feministas e a grupos de direitos das mulheres.

Especialistas externos ouvidos pelo veículo destacam críticas a programas de patrocínio. Pesquisadores chamam a prática de racializada e de promoted white saviorism, defendendo modelos centrados em educação, bem-estar estatal e serviços públicos como alternativas.

A ActionAid afirma que a mudança não é apenas retórica, mas um reposicionamento estratégico para ampliar a eficácia de suas ações. A organização continua comprometida com o impacto social de longo prazo e com a redução das desigualdades globais.

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