- Delcy Rodríguez e o irmão Jorge Rodríguez teriam prometido cooperação aos EUA e ao Qatar após a saída de Nicolás Maduro, antes da operação dos EUA em Caracas.
- As mensagens foram feitas por meio de intermediários, começando no fim do ano passado, e seguiram após ligação entre Trump e Maduro, quando o presidente venezuelano foi pressionado a deixar o poder.
- Segundo fontes, Delcy afirmou estar pronta para colaborar de onde fosse necessário após a saída de Maduro, sem concordar com uma traição ativa a ele.
- Outros atores, como o ministro do Interior, Diosdado Cabello, também teriam participado de negociações com os EUA meses antes da operação.
- Trump chegou a confirmar, em tom informal, que Delcy estava alinhada com a ideia, enquanto desconhecimentos sobre o destino dela surgiram após a ofensiva militar.
Delcy Rodríguez e o irmão Jorge Rodríguez teriam assegurado, de forma confidencial, cooperação com autoridades dos EUA e do Catar caso Nicolás Maduro saísse do poder. As informações são de quatro fontes ligadas aos contatos de alto nível.
Segundo as fontes, Delcy, que assumiu interinamente a presidência em 5 de janeiro, e Jorge, chefe da Assembleia Nacional, comunicaram por intermediários a disposição de acolher o desfecho de Maduro. As declarações teriam ocorrido já no segundo semestre do ano.
O rastreamento das tratativas não se restringe ao pacto. Em novembro, durante uma ligação entre Trump e Maduro, os EUA teriam pressionado a saída do líder venezuelano, que se manteve resistente. Em dezembro, Delcy afirmou estar pronta para colaborar após a saída.
Detalhes do entrave e contatos
Relatos indicam que o chanceler de Trump, Marco Rubio, inicialmente cético, passou a ver as promessas de Delcy como forma de evitar caos após o afastamento de Maduro. Cabello também teria participado de conversas com interlocutores dos EUA, segundo apurações da Reuters.
Os relatos destacam diferença fundamental: o acordo, segundo as fontes, previa apoio à transição, sem compromisso de derrubar Maduro ativamente. A ideia seria evitar violência e turbulência institucional no país.
Horas após o ataque aéreo americano a Caracas, em janeiro, Delcy não estava localizada em locais de fácil identificação. Há menções de que poderia estar em Margarita, ilha venezuelana, ou ter buscado abrigo fora do país. As autoridades venezuelanas não responderam a perguntas enviadas por e-mail.
Contexto político e desdobramentos
O governo venezuelano mantinha conversas com autoridades norte-americanas em múltiplos níveis, paralelamente a contatos oficiais com o governo de Maduro. Entre os temas discutidos estavam a repatriação de venezuelanos e prisioneiros políticos.
Delcy manteve vínculos estreitos com o Catar, aliado dos EUA, que teria sido visto como facilitador de novas portas diplomáticas. Fontes apontam que o Catar disponibilizou recursos e contatos para abrir espaço em negociações discretas.
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