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Europa deve ouvir Mark Carney e trilhar emancipação dolorosa dos EUA

Europa precisa abandonar a dependência dos EUA e buscar coalizões globais, diversificando comércio e defendendo a ordem baseada em regras

Mark Carney, prime minister of Canada, at the World Economic Forum, Davos, Switzerland, 20 January 2026.
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  • Mark Carney, no Davos, afirma que a era do “ordem internacional baseada em regras” liderada pelo Ocidente não volta; grandes potências impõem poder, e países médios devem se unir para defender integridade territorial, estado de direito, comércio livre, clima e direitos humanos.
  • Ele propõe que Europa se alie a países afins — Canadá, Japão, Austrália, Brasil e Índia — para criar um caminho alternativo com novos acordos comerciais e regras, evitando negociações apenas bilaterais com um hegemônio.
  • A União Europeia realiza reunião de emergência diante de pressões dos EUA sobre Groenlândia; pode aplicar tarifas retaliatórias de, aproximadamente, € 93 mil milhões em bens dos EUA e acionar medidas do instrumento de contracoeção comercial.
  • A Comissão Europeia analisa abrir investigação contra ações norte-americanas, além de decidir sobre a implementação provisória do acordo Mercosul, que está sob avaliação do Tribunal de Justiça da União Europeia.
  • Carney alerta que nostalgia não é estratégia; a Europa deve romper com o “atlanticismo” tradicional, buscar parcerias globais e manter o fluxo de governança e comércio baseados em regras.

O antigo banqueiro e ex-governador da Inglaterra, Mark Carney, afirmou em Davos que a ordem mundial está em mudança, com potências ambiciosas desafiando as regras existentes. Ele descreveu a era atual como uma ruptura, não uma transição, e defendeu que democracias liberais devem formar coalizões para defender princípios como integridade territorial, estado de direito, livre comércio, clima e direitos humanos. Carney sugeriu diversificar cadeias de suprimento e mercados para reduzir dependências.

A análise aponta que potências médias devem buscar alianças com países como Canadá, Japão, Austrália, Brasil e Índia para criar caminhos alternativos de governança econômica e regulatória. Segundo ele, negociar apenas com um hegemon é fraqueza, e países situados entre potências devem evitar subordinação, buscando uma terceira via com impacto.

Contexto global

Carney destacou que o atual uso coercitivo de poder não tende a retornar ao modelo anterior de ordem liderada pelo Ocidente. A observação ocorre em meio a tensões entre os EUA e aliados europeus, com medidas potenciais que vão desde tarifas até pressões sobre acordos comerciais e geopolítica de recursos.

A fala coincide com discursos de Trump que, em Davos, condicionou negociações e mencionou instrumentos de tarifas. Mesmo assim, a perspectiva europeia permanece incerta entre desescalada, barganha e busca por equilíbrio de poder antes de qualquer negociação.

Reação da UE

O bloco europeu planeja uma resposta unificada a eventuais pressões dos EUA sobre Groenlândia, território ligado à Dinamarca. Em reunião de emergência, a UE pode impor tarifas retaliação sobre bens dos EUA e acionar instrumentos de proteção comercial para reduzir vulnerabilidades.

A União também analisa o uso de um marco de defesa comercial para coibir pressões externas. A Comissão Europeia é chamada a abrir investigações sobre movimentos dos EUA que possam impor coerção a membros da UE, segundo o debate público em Bruxelas.

Mercosul e comércio

A sessão do Parlamento Europeu adiou indefinidamente a ratificação de cortes tarifários envolvendo os EUA, numa leitura crítica de acordos que favorecem o divórcio comercial. Em paralelo, houve decisão de submeter acordo com Mercosul à apreciação do Tribunal de Justiça da UE, o que pode atrasar a ratificação por mais de dois anos.

A comissão europeia enfrenta a escolha entre avançar com o acordo em vias provisórias ou esperar pela decisão judicial, mantendo ou não ganhos econômicos potenciais com o Mercosul.

Carney defende que líderes devem encarar a realidade do sistema internacional, sem idealizações. O europeísmo deve caminhar rumo a parcerias globais e à construção de regras compartilhadas, para além da aliança atlântica tradicional. O contexto atual exige uma emancipação consciente para manter a governança baseada em regras.

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