- Pesquisadores da Citizen Lab apontam, com alta confiança, que autoridades jordanianas usaram ferramenta forense da Cellebrite para extrair dados de smartphones de ativistas e protestantes críticos a Israel e solidários a Gaza.
- A investigação multianual analisou quatro celulares entre janeiro de 2024 e junho de 2025, todos submetidos à extração forense com a Cellebrite.
- Os casos envolvem membros da sociedade civil, incluindo dois ativistas políticos, um organizador estudantil e um defensor de direitos humanos, que foram detidos, presos ou interrogados.
- Em um caso, o aparelho de um ativista foi confiscado após interrogatório por uma unidade de inteligência geral, permaneceu na custódia por trinta e cinco dias e depois voltou ao dono.
- A Cellebrite afirma que a tecnologia é forense e usada de forma legal, apenas com devido processo ou consentimento, e que a empresa investiga alegações de uso indevido; o governo da Jordânia não se manifestou.
Dois a cada três parágrafos de texto incluem informações primárias sobre o assunto, apresentando de forma objetiva o uso de ferramentas de spyware para monitoramento de ativistas no Jordão. O estudo, conduzido pelo Citizen Lab, aponta que autoridades usaram tecnologia da Cellebrite para extrair dados de telefones de integrantes da sociedade civil críticos de Israel e que apoiaram Gaza.
Segundo o relatório, quatro aparelhos móveis ligados a ativistas civis foram alvo entre janeiro de 2024 e junho de 2025. As pessoas envolvidas não tiveram seus nomes divulgados por temerem represálias, conforme observado pelos pesquisadores.
A investigação identificou que, ao ser empregada por autoridades com acesso físico ao dispositivo, a ferramenta de extração forensic pode coletar fotos, vídeos, chats, senhas, histórico de localização e de navegação, entre outros dados. Os aparelhos estavam sob custódia estatal em diferentes momentos.
O que foi encontrado e implicações
O Citizen Lab afirma que o uso de Cellebrite pelos órgãos jordanianos possivelmente viola tratados de direitos humanos ratificados pelo país, incluindo o ICCPR. A análise envolveu telefones apreendidos e registros judiciais compartilhados com os pesquisadores.
A empresa Cellebrite informou ao Guardian que seu software é forense e utilizado apenas com due process legal ou consentimento, para auxiliar investigações após eventos. A companhia disse ainda que verifica clientes e descontinuou operações em jurisdições com riscos aceitáveis.
O governo jordaniano não comentou o relatório quando procurado pela reportagem. A divulgação aponta para abusos potenciais de ferramentas de coleta de dados em contextos de dissidência política e defesa de direitos humanos.
Contexto internacional e próximos passos
Casos semelhantes de uso de Cellebrite foram reportados em Myanmar e Botsuana, com indícios também em Sérvia e Bielorrússia. O estudo ressalta a necessidade de salvaguardas legais e transparência na aplicação de tecnologias de vigilância contra ativistas.
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