- Zelenskyy, em Davos, acusou líderes europeus de estarem em “modo Groenlândia” esperando liderança de Donald Trump em crises geopolíticas, em vez de agir.
- Disse que a Europa precisa aprender a se defender e não depender dos EUA para decidir sobre a defesa; questionou o efeito de enviar poucos soldados à Groenlândia.
- Sugeriu que a Europa tenha atuação militar mais contundente e apontou para a necessidade de atacar a “flota sombra” de petroleiros russos para financiar a guerra; afirmou que as sanções permitem que a Rússia siga produzindo armas.
- Apontou que as ameaças à Europa são existenciais para a OTAN e pediu uma força armada conjunta, em vez de depender da intervenção dos Estados Unidos.
- Afirmou ter reforçado, em encontro com Donald Trump, que as negociações de paz para encerrar a guerra na Ucrânia ainda têm caminho a percorrer.
Volodymyr Zelenskyy cobrou, em Davos, que a Europa assuma uma defesa própria em vez de esperar ações dos Estados Unidos. O presidente ucraniano afirmou que a União Europeia está em “modo Groenlândia” e precisa saber como se defender diante de crises geopolíticas.
Zelenskyy mencionou de forma indireta as exigências de Donald Trump para que os EUA assumam maior protagonismo em questões como Groenlândia. O líder europeu, segundo ele, tem mantido posição passiva diante de um governo norte-americano cada vez mais imprevisível.
Ao discursar, o presidente ucraniano apontou a necessidade de uma resposta europeia mais firme, questionando mensagens enviadas pela presença de tropas transferidas para zonas remotas e o efeito disso para Putin, China e Dinamarca. Também ressaltou que a Ucrânia pode auxiliar a defesa europeia em caso de agressões.
Europa precisa de defesa própria
Durante o discurso, Zelenskyy sugeriu que a Europa desempenhe um papel mais ativo na contenção da chamada frota sombria da Rússia, composta por cargueiros petroleiros usados para financiar seu esforço de guerra. Ele destacou ainda que sanções atuais têm facilitado a continuidade da produção de mísseis e demais armamentos.
O presidente destacou a importância de uma resposta coordenada da OTAN, afirmando que a aliança depende de uma ação concreta para proteger países como Lituânia e Polônia. A interlocução com a aliança é vista como essencial para deter avanços russos na região.
Zelenskyy afirmou que a Europa precisa de um comando militar mais articulado, com capacidade própria de defesa, independentemente de o que acontecer com o papel dos EUA. Segundo ele, a confiança atual em uma intervenção automática da OTAN não substitui ações claras da União Europeia.
Contato com Trump e desdobramentos
Pouco antes, Zelenskyy havia se reunido com Donald Trump para tratar de negociações de paz para encerrar o conflito na Ucrânia. Trump relatou que o encontro foi positivo, mas ainda com questões a resolver. Um enviado de Trump, Steve Witkoff, confirmou que a reunião teve avanços, com planos para continuidade das conversas.
Witkoff disse que o encontro, iniciado pela Rússia, sinaliza progresso e que já se trabalham iterações de um tema central. Jared Kushner, esposo de Ivanka Trump, acompanhou o diplomata.
Trump apontou, ao final, que a guerra precisa terminar. O contexto do encontro e as negociações continuam a figurar como desdobramentos relevantes para a posição da Ucrânia e para a percepção da UE sobre seu papel estratégico.
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