- A CAO do World Bank abriu avaliação de uma queixa apresentada pelo povo Yakthung contra a International Finance Corporation, ligada ao grupo IME, sobre o projeto de teleférico Pathibhara Devi, no leste do Nepal.
- O objetivo do teleférico é facilitar o acesso ao templo sagrado Pathibhara Devi; a construção envolve desmatamento na floresta ao redor do sítio sagrado, que também abriga espécies ameaçadas.
- A queixa foi registrada em agosto de 2025 e aceita para revisão em 12 de dezembro de 2025, entrando na fase de avaliação do processo da CAO.
- A IFC disse que forneceu apoio consultivo ao IME Group, apesar de não ter investido diretamente no Pathibhara, e divulgou o envolvimento apenas em julho de 2024, pouco antes do término do projeto.
- Comunidade e seus advogados afirmam que o apoio da IFC viola direitos indígenas e padrões de salvaguardas; protests e ações legais seguem em curso, incluindo uma ação no Supremo Tribunal do Nepal.
O Conselho de conformidade e mediação do Banco Mundial (CAO) abriu uma investigação sobre uma queixa apresentada pelos Yakthung, povo indígena da região leste do Nepal, contra a IFC, braço de investimentos privados do grupo. A queixa envolve o apoio consultivo à Linha de Cable Car Pathibhara, projeto controvertido na terra ancestral dos Yakthung.
O objeto da reclamação é a participação da IFC, que, segundo a denúncia, forneceu suporte consultivo ao IME Group para o empreendimento. O CAO confirmou que a queixa foi registrada formalmente em agosto de 2025 e aceita para avaliação em 12 de dezembro de 2025, entrando na fase de apuração do processo.
O projeto, iniciado em setembro de 2022, visa levar peregrinos ao templo Pathibhara Devi, situado na fronteira da Kanchenjunga Conservation Area, no leste do Nepal. Trabalhadores teriam começado desmatamento na área em maio de 2024, gerando protestos locais e críticas sobre impactos ambientais.
O caminho elevado para o ponto sagrado passa por áreas de floresta com espécies protegidas, como o panda vermelho e o teixo do Himalaia. Comunidades locais acusam o desmatamento de reduzir a importância espiritual do site e de violar direitos indígenas de FPIC, exigindo investigação sobre salvaguardas e padrões do IFC.
Ainda segundo o registro do CAO, o IFC divulgou envolvimento com o projeto apenas em julho de 2024, antes do encerramento do projeto em setembro de 2024, quando os reclamantes tomaram conhecimento da participação. O IFC afirma não ter investido nem desenvolvido o Pathibhara, tendo apenas um acordo para oferecer serviços de consultoria gradualmente a uma empresa ligada ao IME Group, encerrado no início de agosto de 2024.
Um advogado representando os Yakthung afirma que as atividades do IFC, ainda que encerradas, mantêm relação com outras operações do grupo, o que alimenta dúvidas sobre a conformidade com padrões de proteção ambiental e direitos dos povos indígenas. A defesa dos reclamantes sustenta a falta de transparência por parte do IFC.
A parte pode optar por um acordo por meio do CAO ou encaminhar o caso para avaliação de conformidade ambiental e social, com um prazo de 90 dias para decisões. O objetivo do CAO é compreender as perspectivas das partes e facilitar encaminhamentos, sem julgar o mérito da reclamação nessa etapa.
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