- Sul Global não é geográfico; envolve países com características geopolíticas e econômicas comuns, em geral com desenvolvimento mais tardio, responsáveis por cerca de metade do PIB mundial.
- China, apesar de estar no hemisfério norte, é considerada parte do Sul Global, assim como a Índia; a lista atual contempla 134 países (G77).
- O presidente Xi Jinping ligou para o presidente Lula e pediu que o Brasil defenda o papel central das Nações Unidas no sistema internacional e o Sul Global.
- Xi afirmou que China e Brasil devem ficar ao lado correto da história e proteger interesses comuns, bem como o papel da ONU e a equidade internacional.
- A conversa ocorreu após o anúncio de Donald Trump, em Davos, sobre o Conselho da Paz; Brasil e China ainda não confirmaram adesão, e o resumo oficial não cita o tema.
O termo Sul Global é usado por representantes de Brasil e de outros países em desenvolvimento para indicar uma visão comum de mundo. A expressão aparece em debates e agendas internacionais, como na conversa entre Lula e Xi Jinping.
Diferente de uma região geográfica, o Sul Global reúne países com características geopolíticas e econômicas semelhantes. Em muitos deles, o desenvolvimento ocorreu mais tarde que na Europa e na América do Norte.
A ideia busca justamente enfrentar a desigualdade e o desafio de reduzir disparidades internas. Hoje esse bloco representa cerca de metade do PIB mundial e atua como motor de crescimento global.
A designação ganhou peso após o fim da Guerra Fria, quando ficaram claras as distintas trajetórias entre Norte e Sul. A China, apesar de estar no hemisfério norte, é vinculada ao Sul Global, assim como a Índia.
No grupo, 134 países são considerados parte do Sul Global, segundo o G77, incluindo grande parte da África, América Latina e Caribe, além de boa parte da Oceania e da Ásia. Australia, Nova Zelândia, Japão, Coreia do Sul e Israel ficam de fora.
Xi: Brasil e China devem proteger Sul Global
Nesta manhã, Xi Jinping ligou para o presidente Lula. O objetivo, segundo a Xinhua, foi defender o papel central das Nações Unidas no sistema internacional. Os dois líderes destacaram a importância de manter paz e estabilidade globais.
A nota oficial cita ainda o desejo de que Brasil e China permaneçam ao lado do que chamam de “história correta”, protegendo interesses comuns do Sul Global. A conversa ocorreu após a divulgação de propostas no Davos sobre um novo Conselho da Paz.
Ainda segundo a Xinhua, o resumo da conversa não comentou adesão ao eventual Conselho da Paz. A conversa teve como foco reafirmar cooperação entre Brasil e China em temas multilaterais.
Fonte: reportagem da RFI, publicada em 23/11/2026.
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