- Procuradores espanhóis arquivaram a denúncia de duas ex-funcionárias contra Julio Iglesias por abuso sexual e tráfico de pessoas, alegando que não há jurisdição da Justiça espanhola porque os crimes teriam ocorrido fora do país.
- As acusações vieram de trabalhadoras que atuavam nas mansões do cantor no Caribe, em Bahamas e na República Dominicana, reclamando de toques, humilhações e controle.
- A apuração conjunta de elDiario.es e Univision Noticias ouviu quinze ex-funcionários entre o fim dos anos noventa e 2023.
- Segundo a decisão, a Audiencia Nacional não pode julgar o caso, mas as investigações podem ocorrer na República Dominicana e nas Bahamas.
- Iglesias nega as acusações e afirmou que defenderá-se, chamando-as de “afronta grave” em postagem nas redes sociais.
A Espanha pediu o arquivamento de uma queixa contra o cantor Julio Iglesias, apresentada por duas ex-funcionárias. Alegações de estupro e tráfico humano não vão tramitar no país, por não haver jurisdição sobre crimes ocorridos fora da Espanha.
As supostas vítimas, que trabalhavam em propriedades do artista no Caribe, apresentaram a denúncia à Audiencia Nacional, o tribunal penal de maior jurisdição do país. A iniciativa partiu de uma investigação conjunta de elDiario.es e Univision Noticias.
A investigação conjunta durou cerca de três anos e reuniu depoimentos de 15 ex-funcionários que atuaram entre o final dos anos 1990 e 2023. As informações foram divulgadas pela imprensa espanhola e internacional.
Os relatos descrevem abusos ocorridos em residências caribenhas, com práticas de controle e assédio contínuo, segundo as denunciantes. A denúncia envolve agressões supostamente frequentes no ambiente de trabalho.
A defesa de Iglesias refutou as acusações, afirmando ter ocorrido uma afronta grave contra a reputação do artista. O cantor de 82 anos ainda não se pronunciou publicamente sobre o arquivamento espanhol.
Segundo a decisão, o Ministério Público espanhol avaliou que os supostos delitos não teriam ocorrido na Espanha, o que inviabiliza a atuação da Justiça local. Ainda assim, há possibilidade de persecução em outros territórios.
A Procuradoria informou que, caso haja elementos, a produção de ações pode recair sobre Dominican Republic e Bahamas, onde teriam ocorrido os eventos descritos pelas denunciantes. O caso não é objeto de novas investigações na Espanha.
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