- Autoridades detiveram 2.000 apoiadores da oposição, após uma eleição contestada na qual Yoweri Museveni, de 81 anos, foi declarado vencedor do sétimo mandato.
- Foram registradas 30 mortes entre apoiadores da oposição e há buscas por mais indivíduos.
- Muhoozi Kainerugaba, chefe militar e filho de Museveni, informou as detenções e mortes, descrevendo os detidos como terroristas.
- Bobi Wine, líder do National Unity Platform, rejeita o resultado e acusa irregularidades, mantendo-se oculto.
- A ONU manifestou preocupação com as detenções e incidentes de violência envolvendo a oposição, ressaltando a necessidade de contenção e respeito ao Estado de direito.
Uganda viveu nesta semana uma escalada de violência após a eleição presidencial realizada em 15 de janeiro, em meio a acusações de irregularidades. O mais recente balanço divulgado pelo chefe do exército afirma que foram detidos 2.000 apoiadores da oposição, houve 30 mortes e buscas por mais envolvidos. O pleito reelegeu o presidente Yoweri Museveni, de 81 anos, para um sétimo mandato.
A recontagem de incidentes ocorreu após a oposição alegar fraude e irregularidades durante o voto, realizado sob blackout de internet. Bobi Wine, líder do NUP, contestou o resultado e se manteve na clandestinidade. Wine acusa prisões arbitrárias e violência por parte das forças de segurança.
Detenções, mortes e declarações oficiais
Muhoozi Kainerugaba, filho de Museveni e chefe do estado-maior, informou via redes sociais as detenções e as mortes, chamando os militantes do NUP de terroristas. O governo afirmou que parte dos apoiadores se envolveu em violência durante a eleição, enquanto a oposição nega as acusações.
O governo também relatou prisões de membros da oposição em várias regiões, com alegações de ataques contra a polícia. Já organizações de direitos humanos apontam possível detenção em locais não oficiais, com relatos de abusos de direitos humanos em alguns casos.
Reação internacional e contexto
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, manifestou preocupação com os incidentes envolvendo oposicionistas e com a detenção de apoiadores, enfatizando a necessidade de contenção e respeito ao Estado de direito. A comunidade internacional pediu apuração clara dos fatos.
Wine, que já deixou a residência após uma operação, continua sob risco de perseguição política segundo a oposição. Museveni é visto como possível favorito a consolidar o papel de liderança no país, com rumores sobre a intenção de Kainerugaba de assumir o poder no futuro.
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