- Estão abertas as urnas na fase final das eleições de três etapas em Myanmar neste domingo, com regiões inteiras sob controle de grupos anti-junta em meio a conflitos.
- A Junta liderada por Min Aung Hlaing diz que a votação é livre e justa, enquanto a oposição permanece banida e o país continua em conflito.
- Dias antes da eleição, 21 pessoas foram mortas e 28 ficaram feridas em um ataque aéreo militar em uma aldeia de Kachin, onde deslocados buscavam abrigo.
- Ao todo, 57 partidos disputam, mas apenas seis concorrem nacionalmente; o Partido Union Solidarity and Development (USDP) apresenta o maior número de candidaturas.
- Estados estrangeiros e organizações internacionais rejeitam a legitimidade do pleito, citando falta de abertura e condições de segurança precárias.
O arremate do processo eleitoral em Myanmar ocorre neste domingo, com a fase final de votação de três etapas. A eleição é marcada pela presença do regime militar, pela detenção de Aung San Suu Kyi e pela continuação de confrontos em várias regiões, já considerada pela comunidade internacional como questionável em sua legitimidade.
Ao longo das fases, 57 partidos participaram, mas apenas seis disputaram nacionalmente. O partido União Solidária e Desenvolvimento (USDP), apoiado pela junta, confirmou o maior número de candidatos. Observadores apontam que pouca representatividade anti-junta aparece na lista de candidatos.
A votação acontece em meio a um intenso contexto de violência. Dias antes, um bombardeio aéreo militar deixou 21 mortos e 28 feridos em um vilarejo da província de Kachin, onde deslocados buscavam abrigo. A votação em Bhamo, na mesma região, está prevista para este domingo.
A comunidade internacional contestou a legitimidade do pleito. O alto comissário de direitos humanos, além de especialistas independentes, consideram o pleito orchestrado pela junta para turbinar a sua liderança. Tom Andrews alertou que governos não devem naturalizar a regra militar com aparência civil.
Analistas observam que a participação não atingiu o nível de eleições anteriores, com relatos de menor mobilização em cidades como Yangon e Mandalay. Uma nova lei de proteção eleitoral, em vigor desde julho, criminaliza críticas ao pleito com penas de prisão a partir de três anos.
O conflito permanece ativo, com várias entidades oposicionistas armadas. A Acled aponta que Myanmar vive o que qualificou como o segundo caso mais fragmentado de conflitos globais, com ampla diversidade de grupos e áreas em confronto.
Estima-se que, desde o golpe de 2021, a contagem de fatalidades ultrapasse dezenas de milhares. Analistas dizem que, ao fim da rodada final, é provável que a junta mantenha o controle majoritário, mas o conflito deve continuar e a tensão no país se manterá.
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