- O líder da oposição de Uganda, Bobi Wine, afirmou que sua esposa foi levada ao hospital depois de soldados invadirem a residência em Magere, no norte de Kampala, rendendo-a e intimidando-a.
- Wine disse não estar no local e estar escondido, após escapar de outra investida na semana anterior, quando foi anunciado como vice da eleição de 15 de janeiro.
- Não houve resposta imediata do porta-voz militar Chris Magezi para comentar o ocorrido.
- Museveni foi declarado vencedor da eleição com 71,6% dos votos; Wine contesta os resultados, alegando fraude eleitoral.
- Muhoozi Kainerugaba, filho de Museveni e chefe do exército, disse que Wine deve se entregar ou será tratado como rebelde, e afirmou prisões de apoiadores e mortes entre os seguidores de Wine.
O líder da oposição de Uganda, Bobi Wine, afirmou neste sábado que sua esposa foi hospitalizada após soldados invadirem a residência deles, deixarem parte do local sem roupas e as terem sufocado. O político não estava no imóvel e está sumido desde uma nova abordagem à casa na semana passada, após ser anunciado como vice candidato à presidência no pleito de 15 de janeiro.
Wine disse, em postagem feita no X, que forças militares entraram no bairro Magere, no norte de Kampala, durante a noite de sexta para sábado, quebrando portas e causando violência entre a equipe que trabalha no local. Não houve confirmação imediata por parte do porta-voz militar.
A disputa eleitoral terminou com o incumbent de quatro décadas, Yoweri Museveni, 81, declarado vencedor com 71,6% dos votos, frente a 24% de Wine. O opositor rejeita os resultados, alegando fraude generalizada, incluindo suposto recheamento de cédulas.
Wine relatou que, durante o cerco, sua esposa, Barbara Kyagulanyi, foi mantida à porta de armas e obrigada a revelar o paradeiro dele. Segundo o relato, houve retirada do celular dela, insistência em senha, agressões e fotos tiradas, antes de a esposa ser encaminhada ao hospital, onde permanece.
O comandante-chefe das Forças Armadas, Muhoozi Kainerugaba — filho de Museveni — pediu a entrega de Wine à polícia, sob pena de tratá-lo como rebelde, além de terem sido feitas ameaças de morte contra o opositor. Em nota anterior, ele afirmou ainda que 30 apoiadores de Wine teriam sido mortos e 2.000 detidos.
Wine afirma ainda ter tido seus pertences como dinheiro, documentos e outros dispositivos eletrônicos levados durante a invasão. A situação gerou preocupação internacional e interna quanto ao uso de força contra opositores nas semanas que antecederam e seguiram o pleito.
Contexto Eleitoral
Na sexta-feira, a. Organização das Nações Unidas expressou preocupação com prisões e violência envolvendo líderes e apoiadores da oposição, em meio a críticas de direitos humanos. Grupos de defesa dos direitos humanos e críticos do governo costumam atribuir esse padrão ao controle militar do poder.
As informações são de agências internacionais; não há confirmação oficial imediata sobre todos os detalhes citados. Autoridades militares não responderam pedidos de comentário até o fechamento deste reportagem.
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