- Essam al-Shazly, 28 anos, egípcio, passou quatro anos no corredor da morte na Arábia Saudita; a mãe foi seu único contato com o mundo externo e afirma que ele foi coagido a contrabandear e a confessar.
- Ele foi encontrado no Mar Vermelho, perto de uma boia, com comprimidos de anfetamina, opium e heroína; a família afirma que foi jogado na água por contrabandistas.
- Em 2025 houve recorde de 356 execuções na Arábia Saudita, número que a mãe esperava que não incluísse o filho.
- A petição de clemência destacou inconsistências na confissão, além de relatar depressão de Shazly e internação médica no Egito antes da prisão.
- Em dezembro de 2024 era um dos 33 egípcios na ala de Tabuk sob pena de morte; um ano depois, apenas seis permanecem vivos, e a Arábia Saudita não devolve corpos nem informa locais de sepultamento.
Essam al-Shazly, 28 anos, egípcio, estava no corredor da morte na Arábia Saudita há quatro anos. Segundo sua mãe, ele foi coagido a se envolver com tráfico de drogas e a confessar, sob pressão. Ela relata que, durante as ligações diárias, ele pedia que não lhe perguntassem sobre a prisão.
A família afirma que ele era pescador e foi empiricalmente forçado a colaborar com smugglers; a mãe descreve a sentença de morte como injusta, alegando que ele era apenas o transportador, não o traficante. Ela também aponta falhas no processo e na obtenção de assistência legal adequada.
No relato da mãe, o último contato ocorreu após uma solicitação de clemência apresentada pouco antes da decisão final. Ela descreve que os pedidos ressaltaram contradições na confissão e registraram depressão grave de Shazly. A família aguarda confirmação sobre o destino dele.
Contexto e desdobramentos
Shazly teria sido encontrado no Mar Vermelho, próximo a um pneu flutuante com substâncias identificadas pela fiscalização como anfetaminas, ópio e heroína. A versão da família sustenta que ele foi arremessado à água por traficantes e que não teria envolvimento direto com os carregamentos.
Relatos de organizações de direitos humanos apontam que os julgamentos costumam envolver confissões obtidas sob tortura e que as famílias muitas vezes recebem pouca ajuda consular ou assistência jurídica. A questão ocorre em meio a um período de forte atividade de execuções no país.
Até o fim, a mãe descreve ter mantido a esperança de uma comutação ou clemência, ainda que as chances tenham diminuído com o tempo. O caso também evidencia dificuldades de apoio às famílias de condenados, que enfrentam custos e limitações legais.
A defesa de Shazly argumentou inconsistências na confissão e citou histórico de depressão, bem como internação psiquiátrica no Egito antes da prisão. A família relata que ele chegou a hospitalizar-se temporariamente durante o cumprimento da pena.
Contexto internacional
Em 2024, o governo saudita já havia recebido críticas pela aplicação da pena de morte, especialmente em casos de tráfico de drogas. Em meio a eventos esportivos e culturais promovidos pelo país, a prática tem ganhado menos cobertura internacional, segundo especialistas.
Fontes oficiais sauditas afirmam que a aplicação das penas permanece, segundo a lei, para combater o tráfico de drogas e proteger a juventude e a sociedade, destacando a gravidade das infrações. A gestão de corpos de executados e informações sobre sepultamento costumam ficar sob sigilo para as famílias.
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