- Mais de duzentos quenianos e centenas de africanos foram atraídos a trabalhar na Rússia com promessas de empregos comuns e acabaram na linha de frente da guerra contra a Ucrânia.
- O caso de Stephen Oduor, 24 anos, ilustra o recrutamento dissimulado: desembarcou em São Petersburgo, teve os documentos em russo, foi levado a uma base militar e descobriu que tinha sido alistado.
- Sem treinamento, ele recebeu uniforme, fuzis e foi enviado a Belgorod para combater drones ucranianos por três meses, vivendo sob constante perigo; conseguiu escapar e retornou ao Quênia em novembro.
- Redes de recrutamento usam anúncios falsos de emprego para explorar o desemprego juvenil na África, com agências de trabalho envolvidas; autoridades quenianas estimam que mais de 200 nacionais possam estar na Ucrânia.
- Famílias, como a de David, de 22 anos, aguardam respostas sobre o paradeiro de seus filhos; o governo queniano afirma ter repatriado 28 quenianos desde dezembro.
Foi revelado que homens africanos foram atraídos por anúncios de emprego falsos e, ao chegar a Rússia, foram alistados no front sem entender o que fariam. A história de Stephen Oduor, de 24 anos, ilustra o esquema.
Oduor chegou a São Petersburgo vindo de Nairobi com outros quenianos, em agosto. O grupo teve bagagens apreendidas, recebeu roupas pretas e foi levado a uma delegacia para coleta de impressões digitais, assinando documentos em russo.
Na sequência, foram encaminhados para um grande acampamento militar para processar as identidades militares. Lá ficou evidente que haviam sido recrutados pela força, sem treinamento, para atuar no conflito com a Ucrânia.
Reclutamento e mapa da operação
Mais de 200 quenianos e centenas de africanos teriam sido atraídos para a Rússia com promessas de empregos simples, segundo relatos. A cifra envolve cidadãos de Quênia, Uganda, África do Sul e outros países.
O governo queniano informou que pode haver mais de 200 nacionais no território ucraniano, muitos enganados por redes de recrutamento que anunciam empregos falsos. As autoridades mantêm esforços de repatriação.
Oduor descreveu o início de sua missão: três meses na linha de frente, na tarefa de neutralizar drones ucranianos. Ele afirmou que não sabia manusear armas e que não recebeu treinamento adequado.
Relatos de testemunhas indicam que africanos em território ucraniano relatam tratamento desrespeitoso e racista. Vídeos atribuídos a situações de usuários africanos no front circulam nas redes, sem confirmação oficial.
A rede de recrutamento envolve agências de emprego locais e promessas de oportunidades no exterior, explorando o desemprego juvenil na região. Analistas apontam falhas na fiscalização dessas empresas.
Impacto humano e respostas oficiais
Oduor conseguiu retornar ao Quênia após fugir. Ele passou por hospitalização no Belgorod e em Pskov, após ferimentos causados por uma explosão de drone. Hoje busca retomar a vida com trabalhos leves.
Outra família, a de uma jovem mãe, relata a angústia de ter o filho, David, sumido desde agosto. O rapaz, que já trabalhou na construção, foi chamado para Moscou por meio de promessas de segurança, mas acabou na linha de frente.
A família de Susan Kuloba descreve meses sem ter respostas claras sobre o paradeiro do filho. Ela relata que o governo e a embaixada não fornecem informações definitivas, mantendo a esperança de repatriação.
Fontes oficiais destacam a necessidade de investigação sobre redes de recrutamento e maior transparência nas informações repatriadas. Enquanto isso, muitos estrangeiros permanecem em território ucraniano ou no fronte, sem confirmação de status.
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