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Como Trump deve pensar sobre o Ártico

Política ártica dos EUA requer orçamento multianual e presença persistente com aliados para enfrentar Rússia e China, indo além da ênfase na aquisição de Groenlândia

U.S. President Donald Trump disembarks Air Force One as he arrives at Zurich Airport in Zurich, Switzerland, before attending the World Economic Forum in Davos.
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  • Greenland é estratégico por sua localização no Atlântico Norte, servindo como porta de entrada para o Ártico e ajudando a detectar submarinos russos.
  • Rússia vem fortalecendo sua postura militar no Ártico, com novas instalações, modernização de submarinos e mísseis; a China atua com pesquisa científica e uso dual de tecnologias, o que demanda monitoramento próximo.
  • O acordo bilateral dos Estados Unidos com a Dinamarca, firmado no passado, permitia ampla presença militar em Groenlândia; hoje há uma base com cerca de 150 militares, mas há possibilidade de ampliar a presença via negociação bilateral, sem exigir propriedade.
  • A política ártica dos EUA carece de uma estratégia ampla; há avanço na construção de icebreakers, com programas de Polar Security Cutter, e defesa requer orçamento multianual, satélites, sensores e presença persistente, além de cooperação com aliados.
  • O Ártico é tema de debate entre políticas, defesa e economia; o Arctic Council tem foco em desenvolvimento sustentável e não em segurança, exigindo modernização, maior participação de comunidades indígenas e maior cooperação com NATO e UE frente a desafios geopolíticos e oportunidades minerais.

Heather Conley, especialista em Ártico, analisa a longo prazo da política dos EUA no Ártico e os riscos representados pela China e pela Rússia. O debate sobre adquirir a Groenlândia, embora tenha ganhado e perdido notoriedade, levanta questões sobre estratégia, alianças e capacidades norte-americanas na região.

O episódio do FP Live com Conley destacou a Groenlândia como local estratégico no Atlântico Norte, servindo como porta de acesso ao Ártico, detectando navios russos e submarinos, e conectando-se ao avanço da indústria na região. O aquecimento do Ártico torna essa posição ainda mais relevante.

Conley descreveu a atuação russa como mudança de postura militar no Ártico, com instalações renovadas, modernização de submarinos nucleares e mísseis de alcance amplo. Também apontou aumento de atividades híbridas, especialmente no arquipélago de Svalbard, com capacidades de uso dual em navios-tanque de apoio.

Já a participação da China é apresentada como diferente e com atenção a longo prazo. A China atua em pesquisa científica e atividades comerciais no Ártico, com submarinos e missões submarinas com finalidades de estudo do fundo do mar, mineração futura e comunicação, destacando o uso dual dessas capacidades. A cooperação russo-chinesa é indicada como emergente, ainda que concentrada no Ártico do Pacífico, próximo ao Alasca.

A conversa aborda ainda a relação entre os acordos EUA-Dinamarca sobre Groenlândia, vigente desde 1951. Historicamente, os EUA mantiveram uma presença significativa na ilha, com bases e força militar, hoje reduzida a uma base de vigilância na Pituffik, com cerca de 150 membros, além de contratados. O acordo continua vigente e permite ampliar a presença militar por meio de negociações bilaterais.

Segundo Conley, a visão do presidente norte-americano em relação a alianças, tratados e propriedade molda a discussão sobre Groenlândia. Ela aponta que o foco excessivo em aquisição pode afastar potenciais acordos e dificultar avanços práticos na presença dos EUA na região, com uma necessidade de mover a conversa para além da propriedade.

No âmbito da política ártica americana, não haveria uma estratégia única amplamente divulgada. O Ártico é visto como defesa do hemisfério ocidental, mas a política não é ampla nem multisetorial. A pesquisadora destaca avanços em construção de quebra-gelos, com contratos de Polar Security Cutter e parcerias com Canadá e Finlândia, que estruturam o cerne da política ártica. No entanto, observa que o foco em Groenlândia e Canadá tende a centralizar o controle, em detrimento de abordagens colaborativas.

Para uma política ártica eficaz, Conley recomenda um orçamento de segurança multianual dedicado ao Ártico, envolvendo forças militares, Guarda Costeira e Agência de Segurança interna. O objetivo seria manter presença persistente, com infraestruturas, sensores, sistemas autônomos, exercícios e cooperação com aliados. Também enfatiza a necessidade de ajustes de comando e controle para as diferenças entre Ártico europeu e norte-americano.

Em relação à Europa, ela aponta que a participação da OTAN aumenta a presença na região ártica, com exercícios como Cold Response previstos para março, envolvendo milhares de militares. A União Europeia poderia intensificar abordagens frente a questões híbridas russas e chinesas, e a cooperação com a OTAN é considerada essencial para uma presença estável na região.

Sobre o Ártico e as instituições, Conley critica o papel do Conselho Ártico, dizendo que ele não lida com segurança e sua função tem sido inadequada diante das mudanças geopolíticas. Ela ressalta a centralidade de comunidades indígenas e de participantes permanentes, que somam cerca de 4 milhões no Ártico, mas aponta necessidade de mecanismos que integrem geoeconomia, geopolitica e segurança.

No aspecto econômico, a entrevista trata da abertura de rotas marítimas e do potencial de mineração na região. A US Geological Survey aponta consideráveis reservas de petróleo, gás e minerais críticos no Ártico, com destaque para a Groenlândia. Contudo, a infraestrutura limitada eleva custos; a viabilidade depende de parcerias e estabilidade de investimentos. Conley sugere ampliar investimentos na Alaska para acelerar desenvolvimentos.

A economia ártica também envolve o papel da Rússia e da China no escoamento de gás natural liquefeito no Ártico russo e o uso da Rota do Mar do Norte para reduzir prazos de viagem; implicações de sanções ocidentais e investimentos chineses foram citadas como fatores influentes. A visão de Conley é de que uma iniciativa europeia coordenada sobre minerais críticos pode ser a mais eficaz, mas com prazos de uma década para resultados em Groenlândia, exigindo confiança entre parceiros.

Notas finais indicam que o conteúdo base foi extraído de uma discussão com Heather Conley para o FP Live, com foco em políticas, alianças e capacidades dos EUA no Ártico, bem como nas implicações estratégicas para Groenlândia, Rússia, China e aliados. As informações refletem análise de uma especialista com experiência governamental anterior e liderança em think tanks.

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