- Greenland é estratégico por sua localização no Atlântico Norte, servindo como porta de entrada para o Ártico e ajudando a detectar submarinos russos.
- Rússia vem fortalecendo sua postura militar no Ártico, com novas instalações, modernização de submarinos e mísseis; a China atua com pesquisa científica e uso dual de tecnologias, o que demanda monitoramento próximo.
- O acordo bilateral dos Estados Unidos com a Dinamarca, firmado no passado, permitia ampla presença militar em Groenlândia; hoje há uma base com cerca de 150 militares, mas há possibilidade de ampliar a presença via negociação bilateral, sem exigir propriedade.
- A política ártica dos EUA carece de uma estratégia ampla; há avanço na construção de icebreakers, com programas de Polar Security Cutter, e defesa requer orçamento multianual, satélites, sensores e presença persistente, além de cooperação com aliados.
- O Ártico é tema de debate entre políticas, defesa e economia; o Arctic Council tem foco em desenvolvimento sustentável e não em segurança, exigindo modernização, maior participação de comunidades indígenas e maior cooperação com NATO e UE frente a desafios geopolíticos e oportunidades minerais.
Heather Conley, especialista em Ártico, analisa a longo prazo da política dos EUA no Ártico e os riscos representados pela China e pela Rússia. O debate sobre adquirir a Groenlândia, embora tenha ganhado e perdido notoriedade, levanta questões sobre estratégia, alianças e capacidades norte-americanas na região.
O episódio do FP Live com Conley destacou a Groenlândia como local estratégico no Atlântico Norte, servindo como porta de acesso ao Ártico, detectando navios russos e submarinos, e conectando-se ao avanço da indústria na região. O aquecimento do Ártico torna essa posição ainda mais relevante.
Conley descreveu a atuação russa como mudança de postura militar no Ártico, com instalações renovadas, modernização de submarinos nucleares e mísseis de alcance amplo. Também apontou aumento de atividades híbridas, especialmente no arquipélago de Svalbard, com capacidades de uso dual em navios-tanque de apoio.
Já a participação da China é apresentada como diferente e com atenção a longo prazo. A China atua em pesquisa científica e atividades comerciais no Ártico, com submarinos e missões submarinas com finalidades de estudo do fundo do mar, mineração futura e comunicação, destacando o uso dual dessas capacidades. A cooperação russo-chinesa é indicada como emergente, ainda que concentrada no Ártico do Pacífico, próximo ao Alasca.
A conversa aborda ainda a relação entre os acordos EUA-Dinamarca sobre Groenlândia, vigente desde 1951. Historicamente, os EUA mantiveram uma presença significativa na ilha, com bases e força militar, hoje reduzida a uma base de vigilância na Pituffik, com cerca de 150 membros, além de contratados. O acordo continua vigente e permite ampliar a presença militar por meio de negociações bilaterais.
Segundo Conley, a visão do presidente norte-americano em relação a alianças, tratados e propriedade molda a discussão sobre Groenlândia. Ela aponta que o foco excessivo em aquisição pode afastar potenciais acordos e dificultar avanços práticos na presença dos EUA na região, com uma necessidade de mover a conversa para além da propriedade.
No âmbito da política ártica americana, não haveria uma estratégia única amplamente divulgada. O Ártico é visto como defesa do hemisfério ocidental, mas a política não é ampla nem multisetorial. A pesquisadora destaca avanços em construção de quebra-gelos, com contratos de Polar Security Cutter e parcerias com Canadá e Finlândia, que estruturam o cerne da política ártica. No entanto, observa que o foco em Groenlândia e Canadá tende a centralizar o controle, em detrimento de abordagens colaborativas.
Para uma política ártica eficaz, Conley recomenda um orçamento de segurança multianual dedicado ao Ártico, envolvendo forças militares, Guarda Costeira e Agência de Segurança interna. O objetivo seria manter presença persistente, com infraestruturas, sensores, sistemas autônomos, exercícios e cooperação com aliados. Também enfatiza a necessidade de ajustes de comando e controle para as diferenças entre Ártico europeu e norte-americano.
Em relação à Europa, ela aponta que a participação da OTAN aumenta a presença na região ártica, com exercícios como Cold Response previstos para março, envolvendo milhares de militares. A União Europeia poderia intensificar abordagens frente a questões híbridas russas e chinesas, e a cooperação com a OTAN é considerada essencial para uma presença estável na região.
Sobre o Ártico e as instituições, Conley critica o papel do Conselho Ártico, dizendo que ele não lida com segurança e sua função tem sido inadequada diante das mudanças geopolíticas. Ela ressalta a centralidade de comunidades indígenas e de participantes permanentes, que somam cerca de 4 milhões no Ártico, mas aponta necessidade de mecanismos que integrem geoeconomia, geopolitica e segurança.
No aspecto econômico, a entrevista trata da abertura de rotas marítimas e do potencial de mineração na região. A US Geological Survey aponta consideráveis reservas de petróleo, gás e minerais críticos no Ártico, com destaque para a Groenlândia. Contudo, a infraestrutura limitada eleva custos; a viabilidade depende de parcerias e estabilidade de investimentos. Conley sugere ampliar investimentos na Alaska para acelerar desenvolvimentos.
A economia ártica também envolve o papel da Rússia e da China no escoamento de gás natural liquefeito no Ártico russo e o uso da Rota do Mar do Norte para reduzir prazos de viagem; implicações de sanções ocidentais e investimentos chineses foram citadas como fatores influentes. A visão de Conley é de que uma iniciativa europeia coordenada sobre minerais críticos pode ser a mais eficaz, mas com prazos de uma década para resultados em Groenlândia, exigindo confiança entre parceiros.
Notas finais indicam que o conteúdo base foi extraído de uma discussão com Heather Conley para o FP Live, com foco em políticas, alianças e capacidades dos EUA no Ártico, bem como nas implicações estratégicas para Groenlândia, Rússia, China e aliados. As informações refletem análise de uma especialista com experiência governamental anterior e liderança em think tanks.
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