- Em carta da Presidência da COP30, André Corrêa do Lago defende acelerar decisões climáticas e fortalecer o multilateralismo diante do aquecimento global.
- O documento alerta que o mundo pode ultrapassar o limite de 1,5 °C ainda nesta década, conforme referência do Acordo de Paris.
- Os resultados da COP30 foram considerados “aquém do esperado” por cientistas e comunidades atingidas pela crise climática.
- O governo brasileiro tem até fevereiro para apresentar diretrizes de transição energética justa, conforme determinação do presidente Lula, envolvendo os ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima e de Minas e Energia.
- O texto destaca dois caminhos: um mapa do caminho nacional para a transição energética e um road map internacional de implementação, com a COP consolidada como “COP da Implementação” e dezenas de iniciativas e NDCS já em curso.
Em Belém, durante a COP30, a carta da Presidência foi divulgada nesta terça-feira (27). O embaixador André Corrêa do Lago defendeu acelerar decisões climáticas e ampliar o multilateralismo frente à necessidade de reduzir o aquecimento global.
O documento reconhece que os resultados da COP30 ficaram aquém do esperado por cientistas e comunidades afetadas. O tom é de continuidade na busca por ações mais rápidas e eficazes para enfrentar a crise climática.
A carta cita o compromisso do presidente Lula de Elaborar até fevereiro diretrizes para uma transição energética justa, com envolvimento dos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e de Minas e Energia (MME). O prazo foi definido ao fim de 2025.
Corrêa do Lago afirmou que o mapa do caminho será chave para medir avanços e que muitos avaliarão a COP30 com base nesse roteiro. Ele ressaltou que interlocutores já foram contatados para ampliar o acordo internacional.
Atualmente existem duas frentes de planejamento: a diretriz nacional criada por Lula para a transição energética no Brasil e os roadmaps apresentados pela COP30 para implementar decisões globais sobre clima.
Segundo o embaixador, Belém marcou uma virada para a implementação, com foco em ações rápidas mais do que em negociações diplomáticas tradicionais. O regime multilateral aparece limitado para acelerar resultados.
A carta aponta a COP30 como a “COP da Implementação”, citando mais de 480 iniciativas em 190 países e 120 novas NDCs. O Fundo Florestas Tropais para Sempre já tem captação inicial estimada em US$ 6,6 bilhões.
Entre os principais avanços, a carta destaca a realização de mutirões temáticos, eventos preparatórios no Brasil e uma intensa programação em Belém, incluindo a Zona Verde, a Cúpula dos Povos e a Marcha Global pelo Clima, com cerca de 70 mil pessoas.
Corrêa do Lago afirma que a cooperação internacional precisa evoluir para além das negociações formais, apoiando um movimento global de implementação concreta das soluções aprovadas. O tom é de encarar a transição como processo ativo.
A Presidência da COP30 reforça que o regime climático precisa de mecanismos que acelerem a entrega de resultados, mantendo um modelo de cooperação com participação de coalizões de países e atores não estatais, sem reabrir acordos já pactuados.
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