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Famílias de dois homens mortos em ataques com barcos militares de Trump processam EUA

Famílias de dois mortos em ataque naval dos EUA movem ação inédita, alegando ilegalidade dos bombardeios em alto mar

Chad Joseph, left, and Rishi Samaroo, right.
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  • Relação de direito civil apresenta ação federal, publicada nesta terça, contra o governo dos EUA, em nome de famílias de dois homens de uma pequena vila em Trinidad mortos em ataque militar americano a uma embarcação no mar do Caribe em 14 de outubro.
  • Chad Joseph, 26, e Rishi Samaroo, 41, de Las Cuevas, Trinidad, estavam voltando da Venezuela quando foram mortos junto com outras três pessoas; o episódio é o quinto ataque anunciado pela administração Trump contra barcos rápidos usados supostamente por cartéis.
  • A ação, ajuizada em Massachusetts sob a lei marítima, cita a Alien Torts Act e a Death on the High Seas Act; os procuradores afirmam que os ataques foram ilegais e configuram assassinato ordenado no centro do poder público.
  • A dupla ação é acompanhada pela família de um colombiano morto em outro ataque e apresentada pela American Civil Liberties Union (Acu), Seton Hall University e o Center for Constitutional Rights.
  • Os familiares afirmam que, se houvesse suspeita de crime, a pessoa deveria ter sido presa e processada, não morta; especialistas ressaltam que os ataques mexem com leis nacionais e internacionais.

Civil rights attorneys entraram com uma ação federal contra o governo dos EUA, na1ª-feira, em defesa das famílias de dois homens de uma vila de pescadores em Trinidad que morreram em um ataque aéreo americano a uma pequena embarcação no Mar do Caribe, em 14 de outubro. A ação questiona a legalidade do episódio.

A queixa afirma que Chad Joseph, 26, e Rishi Samaroo, 41, retornavam a Trinidad vindo da Venezuela, quando foram mortos junto com outras quatro pessoas. O caso faz parte de uma série de ataques de barcos mobilizados pelo governo de Donald Trump para visar supostos cartéis e gangues.

A ação foi apresentada quatro dias após o anúncio do 36º ataque a barcos, o último dos quais ocorreu no Pacífico Leste. O total de mortos provocados por esses ataques chega a pelo menos 117, segundo dados públicos.

A denúncia, apresentada no tribunal federal do Massachusetts sob a lei de droit marítimo, cita a Lei de Tortos de Estrangeiros e a Lei da Morte no Mar Alto. São representados pela ACLU, pela Seton Hall University e pelo Center for Constitutional Rights.

Entre os signatários estão Lenore Burnley, mãe de Chad, e Sallycar Korasingh, irmã de Samaroo. A ação sustenta que os ataques violam leis nacionais e internacionais, caracterizando-os como homicídios ordenados no mais alto nível do governo e executados por oficiais sob ordens na cadeia de comando.

Em paralelo, outra ação, ínsita em dezembro, envolve a família de Alejandro Carranza Medina, colombiano morto em um dos ataques, que apresentou queixa à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A denúncia de terça-feira é a primeira a envolve um processo federal ligado aos ataques.

Especialistas jurídicos ouvidos pela reportagem destacam que o caso representa uma ação sem precedentes, já que o governo alega estar em conflito armado com cartéis e aplica supostas regras de guerra a ataques em águas internacionais. A administração sustenta a legalidade dessas ações com base em uma opinião interna secreta do Departamento de Justiça.

O processo aponta que, se o governo acreditasse que as vítimas haviam cometido algum crime, deveria prendê-las e apresentar acusações, em vez de executar uma morta, segundo a denúncia. O episódio continua sem detalhamento público sobre o que motivou o ataque específico.

A assessoria jurídica das famílias informou que a ação busca responsabilizar o governo por eventuais ilegalidades no emprego de força letal contra civis em águas internacionais. Aguardam-se desdobramentos judiciais e possíveis novas informações sobre o caso.

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