- Hamas pretende incorporar seus cerca de dez mil agentes da polícia à nova administração palestina para Gaza, sob supervisão dos Estados Unidos, como parte da transição de governança.
- O plano estabelece que o governo de Gaza seja entregue ao Comitê Nacional para a Gestão de Gaza (NCAG), governo tecnocrático com supervisão norte-americana, que deve excluir Hamas.
- O governo de Hamas afirmou que cerca de quarenta mil servidores civis e de segurança devem cooperar com o NCAG, com a ideia de integrá-los ao novo governo.
- O estágio atual de negociações permanece com grandes divergências entre Hamas e Israel, que rejeita a participação do grupo na governança de Gaza, enquanto os EUA promovem o formato de transição.
- Nos bastidores, Washington discute mecanismos de desarmamento, incluindo a possível neutralização de armas, desde que haja cessar-fogo estável e processo político sobre um Estado palestino, ainda sem propostas detalhadas.
Hamas busca integrar o seu policiamento, cerca de 10 mil agentes, a uma administração palestina de Gaza apoiada pelos EUA. A iniciativa ocorre em meio a debates sobre a entrega de armas pelo grupo, que controla boa parte do território desde a trégua de outubro.
Fontes familiarizadas com o assunto dizem que o governo de Gaza, controlado pelo Hamas, pediu aos mais de 40 mil funcionários públicos e de segurança que colaborem com o NCAG, o Comitê Nacional para a Administração de Gaza, responsável pela governança sob supervisão norte-americana. A medida incluiria a incorporação da força policial do Hamas ao novo governo.
A disposição surge em meio a uma segunda fase do plano de 20 pontos para encerrar o conflito, que prevê a transferência de governança de Gaza para o NCAG, criado para excluir o Hamas. A discussão envolve também sobre como integrar trabalhadores e reorganizar ministérios.
Mudança de tema: disarmo e supervisão internacional
O planejamento indica que os Estados Unidos podem exigir desarmamento imediato de armas pesadas, com registro individual e desmobilização por setor, à medida que a polícia do NCAG assume responsabilidades de segurança. Além disso, há menção de uma amnistia parcial para combatentes, conforme relatos de autoridades norte-americanas.
Em resposta, o Hamas afirmou estar pronto para transferir a governança ao NCAG imediatamente, mantendo a participação de funcionários de segurança. Dois altos funcionários disseram que o grupo está aberto a reestruturar ministérios e avançar com a inclusão de trabalhadores na nova estrutura, desde que não haja retaliação contra quem trabalhou anteriormente.
Observação sobre negociações
Os contatos entre Hamas e o NCAG ainda não envolveram reunião presencial entre líderes. Não ficou claro se Israel apoiará a participação de integrantes do Hamas na administração futura de Gaza. O governo de Israel não se pronunciou sobre o tema, segundo relatos.
O estatuto do NCAG enfatiza a supervisão internacional e a retirada de algumas funções de governança de mãos de atores não tolerados pela comunidade internacional. Diplomatas descrevem diferenças significativas entre as posições do Hamas e de Israel, com o apoio dos EUA a uma transição que exclua o grupo.
A expectativa é de que as negociações sobre desarmamento avancem com participação de mediadores de países vizinhos e de atores internacionais. Observadores apontam que avanços dependem de acordos sobre o estado e a segurança final de Gaza, além de mecanismos de fiscalização.
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