- Lula discute com assessores e lideranças internacionais como recusar o convite de Donald Trump para o Conselho da Paz de Gaza, mantendo o alinhamento com a China.
- Xi Jinping pediu a Lula que se oponha ao conselho, oferecendo maior apoio e destacando a defesa da ONU; China e Rússia estudam a proposta, França já disse que não participará.
- Lula teve ligação com Trump e deve se encontrar com o presidente dos EUA em Washington, prevista para fevereiro, mantendo articulação para declinar o convite sem provocar atrito.
- Macron e Lula criticaram o Conselho da Paz, defendendo fortalecimento da ONU, respeito ao Conselho de Segurança e à Carta da ONU; conversa durou cerca de uma hora.
- A atuação envolve Brics e aliados, com Modi discutindo Gaza e reforma da ONU; o Brasil busca manter o multilateralismo e evitar uma “ONU paralela” liderada pelos EUA.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou alinhamento com a China ao negociar a recusa do convite de Donald Trump para integrar um Conselho da Paz sobre Gaza, buscando evitar atritos com os Estados Unidos. A movimentação mira preservar a relação com Washington e, ao mesmo tempo, fortalecer a cooperação com Pequim, que defende a ONU como núcleo da governança global.
Lula tem conversado com assessores, líderes internacionais e aliados para articular a rejeição ao Conselho da Paz proposto por Trump, mantendo o objetivo de não desagradar os EUA. A estratégia inclui sugerir que a proposta se restrinja a Gaza e a inclusão da Palestina, sem ampliar o escopo para criar uma nova entidade.
A China, por meio de Xi Jinping, pediu coordenação com o Brasil para defender a centralidade da ONU. Segundo breves comunicados da imprensa chinesa, Jinping incentivou Lula a atuar junto aos dois países para sustentar a governança global e os interesses do Sul Global.
Reação internacional e posição brasileira
Numa conversa com Trump, nesta segunda-feira, Lula indicou cautela e a intenção de encontrar uma saída que evite impasse diplomático. A reunião com Trump está prevista para ocorrer durante visita a Washington, em fevereiro, segundo o Planalto.
Também houve contato com o presidente francês Emmanuel Macron, nesta terça-feira. Os dois criticaram a proposta de Trump e defenderam o fortalecimento da ONU e o respeito aos mandatos do Conselho de Segurança. A conversa durou cerca de uma hora.
A agenda diplomática brasileira envolve ainda o Brics. Lula manteve diálogo com Narendra Modi, no dia 22, reforçando a necessidade de reforma da ONU e do Conselho de Segurança. A interlocução com a Índia pode facilitar uma posição consolidada entre sulistas.
Análise de especialistas
Especialistas apontam que a defesa da ONU por Lula está alinhada com a tradição multilateral do Brasil. O tema, segundo eles, revela o dilema entre manter o multilateralismo e evitar distensão com os EUA ao lidar com propostas que criam estruturas paralelas.
Outra leitura destaca a tentativa de preservar espaço de manobra entre Washington e Pequim. A China é considerada fator determinante no cálculo econômico global, mas o Brasil busca não se colocar rigidamente de um lado nem de outro.
Perspectiva brasileira
A avaliação interna aponta que aceitar ou recusar o Conselho de Paz envolve custos diplomáticos. Recusar pode manter o compromisso com a ONU, porém pode sinalizar desalinhamento aos EUA. Aceitar poderia fragilizar a visão brasileira de soluções coletivas sob a ONU.
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