- Lula afirmou que vai a Washington em março para um encontro olho no olho com o presidente dos EUA, Donald Trump, viagem discutida em telefonema na segunda (26) e que também tratou da Venezuela.
- O objetivo é fortalecer as relações entre Brasil e Estados Unidos, dois pilares da democracia ocidental, segundo o presidente.
- A conversa durou cerca de cinquenta minutos e foi a primeira desde a intervenção dos EUA na Venezuela; Lula condenou a ação e pediu paciência para que o povo venezuelano decida seu destino.
- Sobre o Conselho da Paz, ficou em aberto o convite ao Brasil; Lula sugeriu que o órgão se restrinja a questões humanitárias e à situação da Faixa de Gaza, com um assento para a Palestina, e o governo pode pedir esclarecimentos técnicos antes de aceitar.
- O encontro também tratou de temas econômicos, com expectativa de boa conjuntura para Brasil e Estados Unidos, e cooperação em áreas como combate à lavagem de dinheiro, tráfico de armas e intercâmbio de dados financeiros.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que viajará a Washington em março para um encontro olho no olho com o presidente dos EUA, Donald Trump. A confirmação ocorreu após Lula chegar ao Panamá, onde participa do Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe.
Segundo Lula, ele conversou com Trump na segunda-feira (26) e também manteve contatos com outros líderes, incluindo Macron e Boric. O objetivo é discutir multilateralismo, democracia no mundo e fortalecer as relações Brasil-Estados Unidos.
Lula destacou que acredita ser possível retomar a normalidade nos cenários internacional e econômico, com foco no crescimento e na cooperação entre as duas maiores democracias do Ocidente. A agenda bilateral deve incluir prioridades de segurança e comércio.
Situação da Venezuela
No Panamá, o presidente brasileiro falou sobre a crise na Venezuela e disse que pretende conversar em breve com a presidente interina Delcy Rodríguez. Lula afirmou que a solução deve partir do povo venezuelano, com respeito à soberania do país.
A conversa entre Lula e Trump também abordou a situação regional e a visão de Brasil e EUA sobre atuação no Caribe, com especial atenção às questões de democracia e estabilidade regional.
Conselho da Paz e reformas da ONU
Durante o diálogo, foi tratado o convite do Brasil para integrar o Conselho da Paz, criado por Trump. Lula não confirmou participação, sugerindo que o órgão tenha foco humanitário e na Faixa de Gaza, com espaço para a Palestina.
Fontes da diplomacia indicam que o governo brasileiro pretende questionar brechas jurídicas do estatuto antes de qualquer decisão sobre o Conselho da Paz, preferindo uma posição cuidadosa.
Lula também reiterou a defesa de uma reforma abrangente da ONU, com ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança. A ideia é ampliar representatividade e responsabilizar atores globais de forma mais equilibrada.
Agenda europeia e perspectivas
A agenda de Lula inclui viagens previstas para Índia e Coreia do Sul em fevereiro. Somente após esses compromissos deverá ocorrer a definição final sobre a viagem a Washington, conforme informou o Planalto.
Estima-se que o encontro com Trump confirme avanços em cooperação econômica, combate à lavagem de dinheiro e combate ao tráfico de armas, interesses que os dois governos apresentaram como prioritários.
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