- Mais de 1.500 pessoas foram evacuadas em Niscemi, Sicilia, por deslizamento de terra causado pela tempestade Harry.
- A cidade, com cerca de 25 mil habitantes, fica sobre uma colina onde se abriu um abismo de quatro quilômetros de frente e cinquenta metros de altura.
- Dois bairros ficaram à beira do vazio; a zona vermelha abrange imóveis a menos de 150 metros do início do desmoronamento.
- Habitantes deslocados estão ficando com familiares ou abrigos no polideportivo municipal, enquanto bombeiros permitem que leve apenas o essencial em grupos.
- Governo italiano decretou emergência para regiões afetadas; estudo aponta que 5,7 milhões de pessoas vivem em áreas com risco de deslizamentos na Itália (23% do território).
O vilarejo de Niscemi, no interior da Sicília, enfrenta um deslizamento de terras sem precedentes. Em menos de duas semanas, uma frente de quase 4 quilômetros de extensão cobriu o solo com 50 metros de altura, abrindo um penhasco junto às casas. Mais de 1.500 pessoas já foram evacuadas de dois bairros, com a possibilidade de novas demolições.
O alerta foi confirmado por Fabio Ciciliano, chefe da Proteção Civil italiana, durante visita à cidade. Segundo ele, toda a colina onde a localidade está asentada está em risco de desmoronamento. O município abriga cerca de 25 mil habitantes, que pouco a pouco ficam em área vulnerável diante do avanço do deslizamento.
Queda de estruturas, interrupção de vias de acesso e riscos à infraestrutura têm marcado a crise. Uma das três estradas que dão acesso a Niscemi ficou bloqueada desde o dia 16 de janeiro, quando começou a sequência de desmoronamentos, impactando o fornecimento de gás e levando ao fechamento de escolas. A partir de 20 de janeiro, o temporal Harry intensificou o quadro, agravando os deslizamentos.
Contexto climático e geológico
O temporal Harry, que se deslocou da Espanha rumo à Itália, deixou danos extensos na Sardenha, Calábria e Sicília. O governo italiano declarou estado de emergência em três regiões. Especialistas apontam que o terreno instável de areia e argila facilita o surgimento de desabamentos, especialmente em áreas com histórico de desprendimentos.
O Instituto Superior para a Proteção e Pesquisa Ambiental (ISPRA) aponta que 5,7 milhões de pessoas vivem em zonas de risco de desmoronamento no país, em cerca de 23% do território. Em quatro anos, a exposição a tais riscos aumentou aproximadamente 15%. Em Niscemi, registros de deslizamentos remontam a 1997, quando 400 pessoas foram evacuadas, o que intensifica a comoção da população diante de novos deslizamentos.
A população local expõe a gravidade da situação durante visitas de autoridades. Moradores protestaram com queixas sobre a resposta recebida nos anos anteriores, descrevendo a crise como uma tragédia anunciada. Especialistas destacam que o município já é citado em escritos históricos de vulnerabilidade geológica, reforçando a necessidade de medidas preventivas de longo prazo.
Situação atual e atendimento
As autoridades mantêm operações de evacuação, priorizando a segurança de residentes próximos à fronteira do deslizamento. Diversas famílias estão alojadas com familiares ou em instalações municipais, incluindo um centro esportivo adaptado para abrigos emergenciais. Bombeiros organizam saídas rápidas para que moradores retirem objetos de valor essencial, com limitações de tempo.
Equipes técnicas avaliam ações de mitigação e monitoramento para evitar novos desmoronamentos. Enquanto isso, apenas uma via de acesso permanece disponível, elevando o risco de isolamento total da cidade caso o terreno continue a ceder. As autoridades continuam atualizando a população sobre riscos e rotas de evacuação.
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