- O embaixador da China na Austrália disse que a ideia do governo de Albanese de retomar o Port of Darwin da empresa Landbridge pode colocar o crescimento do comércio em risco e provocar intervenção de Pequim.
- O governo federal ainda não divulgou um cronograma para a venda forçada do contrato de arrendamento de noventa e nove anos do porto.
- Landbridge é controlada pelo bilionário Ye Cheng; a operação do porto, que já deu lucro após anos de prejuízo, gerou controvérsia desde a compra em dois mil e quinze.
- Pequim afirmou que tem a obrigação de proteger interesses de empresas chinesas no exterior e que, se o porto for tomado pela força, poderá tomar medidas para defender os seus interesses.
- A China é o principal parceiro comercial da Austrália, respondendo por quarenta e quatro por cento do comércio total no último ano fiscal, estimado em $309bn.
O embaixador da China na Austrália alertou que a decisão do governo de Albanese de retirar o Porto de Darwin da posse de uma empresa chinesa pode comprometer o crescimento do comércio e exigir intervenção de Pequim. A medida aponta para a venda forçada do contrato de 99 anos com a Landbridge, controlada pelo bilionário Ye Cheng, prevista após avaliações de segurança nacional realizadas antes das eleições.
Segundo o porta-voz chinês, o governo chinês considera que a Landbridge investiu consideravelmente nos últimos dez anos e que o porto passou a apresentar lucro recentemente. A Embaixada da China em Canberra informou que a decisão de devolver o porto ao controle público não apenas afeta a empresa, mas também pode impactar investimentos, cooperação e comércio entre empresas chinesas e a região norte da Austrália.
O embaixador Xiao Qian destacou que, caso haja tomada ou medidas forçadas contra o porto, a China não ficará sem agir para proteger os interesses da Landbridge. Ele afirmou que o país pode adotar medidas para resguardar interesses de empresas chinesas no exterior, sem detalhar ações específicas.
A posição australiana tem como base considerações de segurança nacional levantadas pelo governo anterior e pela coalizão, com avaliações independentes que concluíram que não havia motivos de segurança para rescindir o contrato. O primeiro-ministro Anthony Albanese anunciou a venda forçada durante uma entrevista de rádio na campanha eleitoral do ano passado, citando falhas na gestão do porto pela Landbridge.
A relação comercial entre Austrália e China é significativa, com a China representando cerca de 24% do comércio total do país no último exercício, somando aproximadamente 309 bilhões de dólares em dois sentidos. O governo australiano ainda não divulgou um cronograma para a venda forçada ou para possíveis mudanças regulatórias associadas à Landbridge.
Separadamente, autoridades militares australianas monitoraram atividades da Marinha chinesa no ano passado, com deslocamentos de navios perto das águas australianas e exercícios militares em águas próximas. O embaixador minimizou esses movimentos, dizendo que ocorreram fora da jurisdição australiana e não estão conectados ao território ou à zona econômica exclusiva da Austrália.
O porta-voz chinês também reiterou que as divergências entre Canberra e Pequim devem ser gerenciadas com flexibilidade, especialmente em questões econômicas e comerciais, mantendo posição de não ceder em temas sensíveis como Taiwan. Em relação a Taiwan, ele afirmou que não há espaço para concessões regionais, enfatizando uma estratégia de reunificação como meta de longo prazo da China.
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