- A sequência de ataques russos a Odesa se intensificou, com drones Shahed e mísseis atingindo infraestrutura de energia quase diariamente durante janeiro e janeiro, em meio ao frio intenso.
- No dia 27 de janeiro, um drone atingiu o prédio próximo ao complexo Kadorr, deixando moradores desalojados e carros esmagados entre escombros.
- Autoridades militares dizem que o Mar Negro virou um “tabuleiro” de guerra, com a aviação russa dominando áreas aéreas e ataques de longo alcance a partir da Crimeia.
- Odesa, crucial para a exportação de cerca de 90% da produção agrícola da Ucrânia via mar, permanece sob pressão para cortar as rotas comerciais e o acesso ao mar.
- A defesa ucraniana afirma manter preparação constante, incluindo defesas circulares e armadilhas, enquanto moradores enfrentam quedas de energia, frio e danos a moradias.
Odesa, na Ucrânia, vive nova rodada de ataques russos em meio ao acirramento no Mar Negro. Nesta terça-feira, 27 de janeiro, moradores relatam danos em edifícios e rotinas interrompidas, com drones Shahed e explosões contribuindo para o pânico na cidade litorânea. A ofensiva ocorre após dias de voos rasantes e ataques a infraestrutura.
O ataque recente atingiu o complexo Kadorr, próximo ao litoral. Um bloco de parede foi arrancado de um prédio de escritórios no 25º andar, derrubando vitrais e gerando destroços em áreas residenciais adjacentes. Moradores descrevem o susto inicial e a sensação de insegurança contínua.
Anastasia, 35 anos, deslocada de Donetsk, relata ter percebido o abalo ao acordar. “Eu estava dormindo e achei que fosse pesadelo; ouvi outra Shahed barulhento.” Ela diz que a região parece mais arriscada e avalia mudar de residência, se a situação piorar.
A escalada de ataques já era prevista por autoridades locais. Oficiais ucranianos indicam que, nos últimos meses, a região tem sido alvo de drones e mísseis em sequência, com foco em infraestrutura energética. O objetivo, segundo justificativas oficiais, é pressionar a população e enfraquecer o esforço de guerra.
Contexto estratégico
Omar Pletenchuk, porta-voz da Marinha ucraniana, aponta que a situação no Mar Negro funciona como um tabuleiro de xadrez. Moscou mantém aeródromo e mira em alvos estratégicos, enquanto Kiev reage com baterias de mísseis costeiras para frear navios russos. A energia permanece entre os alvos mais sensíveis.
O governador da região, Oleh Kiper, afirma que a Black Sea continua útil para a defesa, mas vulnerável a ataques de longo alcance a partir de bases na Crimeia ocupada. Ele aponta que, desde o ataque de 13 de dezembro, grande parte da região ficou sem eletricidade, água ou aquecimento por períodos prolongados.
Impacto local e resposta
Em Odesa, moradores e equipes de resgate trabalham para remover escombros e restabelecer serviços. Escolas, comércios e residências sofrem interrupções frequentes de energia, complicando a vida cotidiana durante o inverno rigoroso. Autoridades locais reforçam medidas de defesa civil e preparação para novas investidas.
Dmitri Nosicov, chefe das forças de defesa territorial, afirma que ataques combinados de mísseis e drones visam pressionar a população. Segundo ele, as ações também envolvem operações de desinformação nas redes sociais, ampliando o impacto psicológico.
O município e as forças de defesa mantêm a perspectiva de uma resposta firme, com defesa de território, redes de proteção e preparação para contingências de longo prazo. As autoridades ressaltam que a guerra no litoral continua a ser uma peça-chave da estratégia russa.
O que se sabe sobre a situação geral
Especialistas destacam que a região do Mar Negro permanece central para o conflito, com esforços de Moscou para interromper rotas de exportação de grãos e petróleo. Já Kiev ressalta que a vulnerabilidade energética é parte da estratégia de Kiev a manter a resistência em meio a ataques contínuos.
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