- Trump avalia opções para atacar o Irã com o objetivo de incentivar protestos, incluindo ataques direcionados a comandos e instituições responsáveis pela violência, e possibilidade de ataque mais amplo a mísseis balísticos ou a programas de enriquecimento.
- Fontes dizem que ainda não há decisão final, mas a presença de porta-aviões e navios de apoio na região amplia as opções militares.
- Autoridades árabes e ocidentais destacam que ataques aéreos isolados não derrubariam o regime e podem enfraquecer um movimento de protesto já abalada pela repressão.
- o líder supremo Ali Khamenei mantém o controle, com o IRGC dominando segurança e economia; a sucessão é incerta.
- Riscos regionais de retaliação iraniana preocupam aliados, com cautela de países do Golfo e temores de desestabilização caso a crise se agrave.
O presidente dos EUA, Donald Trump, avalia opções contra o Irã que incluem ataques direcionados a forças de segurança e a líderes, com o objetivo de criar condições para acionar um possível “mudança de regime” após uma repressão que poderia ter feito milhares de mortos em protestos nacionais no início deste mês. Diversas fontes afirmam que o uso de força busca inspirar manifestantes a tomar ruas e prédios governamentais.
Entre as possibilidades discutidas estão ofensivas contra comandantes e instituições consideradas responsáveis pela violência, além de um ataque militar mais amplo com impacto duradouro, mirando mísseis balísticos ou programas de enriquecimento nuclear, segundo fontes familiarizadas com as discussões. Trump ainda não tomou uma decisão final sobre a trajetória a seguir.
A chegada de porta-aviões dos EUA e de navios de apoio no Oriente Médio ampliou as capacidades de resposta militar em meio a ameaças de intervenção sobre a repressão iraniana, de acordo com relatos de fontes próximas ao assunto. Autoridades de Israel e de países árabes alertam que ataques aéreos apenas não derrubarão o governo iraniano.
Quatro interlocutores árabes, três diplomatas ocidentais e uma fonte ocidental com conhecimento das discussões manifestaram preocupação de que ações desse tipo possam enfraquecer o movimento, já abalada pela repressão mais violenta desde a Revolução Islâmica de 1979. O debate também inclui perspectivas sobre consequências regionais de longo prazo.
Analistas ouvidos dizem que, sem grandes deserções no interior do Irã, os protestos, embora marcados por heroísmo, permanecem desproporcionais frente às forças de segurança. A avaliação comum é de que o objetivo de Washington pode ser favorecer uma mudança de liderança, não necessariamente substituir todo o regime.
Khamenei, que tem se afastado da governança diária aos 86 anos, continua exercendo controle sobre decisões de guerra, sucessão e estratégia nuclear. A atuação diária foi transferida a membros alinhados ao IRGC, segundo fontes próximas ao tema, ainda que o líder conserve autoridade final. O Irã afirma manter programa nuclear civil e sinaliza disposição para dialogar com respeito mútuo.
Patamares de diálogo entre Washington e Jerusalém indicam que uma mudança de liderança iraniana poderia ampliar espaço para cooperação com o Ocidente, mas há cautela quanto a cenários de transição. Autores ocidentais ressaltam a ausência de um substituto claro para Khamenei, o que pode favorecer o IRGC em uma eventual mudança de regime.
Regiões do Golfo temem retaliações iranianas, incluindo ataques de mísseis ou drones de Houthis apoiados pelo Irã, caso haja escalada. Arábia Saudita, Catar, Omã e Egito têm pressionado Washington contra ações contra Teerã, enfatizando riscos de destabilização regional.
Analistas destacam que o desfecho mais provável envolve erosão gradual do poder, com deserções entre elites, paralisia econômica e disputas de liderança, em vez de uma queda instantânea do regime. Ao mesmo tempo, especialistas alertam para o risco de fragmentação interna que poderia agravar tensões regionais e impactos no abastecimento de energia global.
As autoridades israelenses comentaram que, mesmo com a pressão externa, ataques aéreos isolados dificilmente derrubariam o regime. O entendimento é de que, para mudanças profundas, seria necessária uma combinação de pressão externa e oposição interna organizada.
Este artigo consolida informações de várias fontes, que solicitaram anonimato devido à sensibilidade do tema. Representantes do Irã, do Departamento de Defesa dos EUA e da Casa Branca não se pronunciaram, assim como o gabinete do primeiro-ministro de Israel.
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