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Blocos de petróleo e gás cobrem um quarto do Equador, maioria na Amazônia

Blocos de petróleo e gás cobrem um quarto do território equatoriano, com forte sobreposição a terras indígenas e áreas protegidas, ampliando riscos ambientais

State oil company workers clean up the Viche River in Ecuador’s Esmeraldas province on March 15, 2025, after an oil spill triggered by a mudslide that fractured a pipeline.
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  • Ecuador possui sessenta e cinco blocos de óleo e gás, 88% deles na Amazônia, cobrindo um quarto da área total do país.
  • O conjunto de dados do Stockholm Environment Institute mostra sobreposição dos blocos com territórios indígenas, incluindo Secoya, Siona, Cofán, Kichwa e Shuar.
  • Também há sobreposição com áreas protegidas, como o Parque Nacional Yasuní, e estima-se que vinte e um por cento dos blocos intersectem áreas protegidas.
  • No total, os blocos abrangem sete milhões de hectares, ou seja, oito por cento da área do país? (Observação: manter como no original: sete milhões de hectares, correspondente a um quarto do território total.)
  • Registros históricos apontam impactos ambientais e de saúde, com derramamentos de petróleo em rios que afetaram comunidades indígenas, incluindo casos no Sistema Petroecuador de Oleodutos (SOTE).

O Ecuador possui 65 blocos de concessão de óleo e gás, 88% deles situados na Amazônia. Juntos, esses blocos cobrem um quarto da extensão total do país, segundo um conjunto de dados do Stockholm Environment Institute (SEI). A informação aponta para uma concentração intensa de atividade extrativista em território amazônico.

Os dados indicam que muitos blocos se sobrepõem a territórios indígenas, incluindo a Zona Intangible Cuyabeno-Imuya, que abriga 11 comunidades das nações Secoya, Siona, Cofán, Kichwa e Shuar. Outras áreas indígenas em Pastaza e Morona Santiago também aparecem nos cruzamentos.

Além disso, parte dos blocos coincide com áreas protegidas, como a parte oeste do Parque Nacional Yasuní. Em 2023, um referendo histórico no país apoiou a paralisação da extração de petróleo no parque. Outras áreas protegidas com atividade de óleo e gás incluem a Reserva Ecológica Cofán-Bermejo (RECB) e a Reserva de Fauna Cuyabeno, que abrigam uma rica biodiversidade, incluindo animais como o boto-cor-de-rosa e a onça-pintada.

Áreas e sobreposições

No conjunto, os blocos ocupam 7 milhões de hectares, ou 17 milhões de acres, o que corresponde a cerca de 25% de toda a terra do país. A sobreposição com áreas protegidas e territórios indígenas evidencia a complexidade da gestão ambiental na região.

Especialistas ouvidos pela Mongabay destacam preocupações sobre impactos ambientais. Segundo a presidente da organização ambiental Acción Ecológica, os químicos usados na produção de óleo são altamente tóxicos, com liberações sem tratamento que contamaminam água e solo. Estudos associam a exposição a esses tóxicos a problemas de saúde como doenças respiratórias, cardiovasculares, miscarriages e câncer.

O mapeamento também aponta que alguns blocos estão localizados próximos a falhas sísmicas ativas, elevando o risco de deslizamentos, danos a dutos e poços. Em 2020, um rompimento do Sistema Odd de Oleodutos Trans-Ecuadoriano (SOTE) liberou mais de 15 mil barris de petróleo no rio Coca, atingindo mais de 27 mil indígenas.

Em março de 2025, outro rompimento no SOTE liberou 25 mil barris, contaminando três rios, matando animais e afetando mais de 5 mil pessoas na província de Esmeraldas, uma das regiões mais pobres do país. As comunidades locais continuam enfrentando os impactos, segundo relatos de monitoramento.

Mongabay buscou comentário dos ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia do Ecuador, mas não houve resposta até o fechamento desta matéria.

Banner: trabalhadores da estatal de petróleo limpam o rio Viche, em Esmeraldas, após o derramamento causado por um deslizamento de barragem em 2025.

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