- A União Europeia pretende incluir a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) na lista de organizações terroristas, em resposta à repressão aos protestos no país, conforme afirmou a chefe da diplomacia, Kaja Kallas.
- A IRGC é a força militar de elite do Irã, subordinada ao líder supremo, responsável por proteger o regime e reprimir dissidências, com atuação no Exército, Marinha, Aeronáutica e missões no exterior.
- A guarda mantém estruturas próprias, como um exército cibernético, um centro de monitoramento de crimes digitais e um serviço secreto autônomo.
- Foi criada após a Revolução Iraniana de 1979 e expandiu-se após a invasão do Irã pelo Iraque em 1980, tornando-se um pilar do poder no país.
- A brigada Quds atua no exterior apoiando grupos próximos ao Irã, integrando o denominado Eixo da Resistência; em 2024 houve ataques entre Israel e o Irã, e um ataque recente resultou na morte de Hossein Salami, chefe da IRGC desde 2019.
A União Europeia pode incluir a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) na lista de organizações terroristas. A decisão foi anunciada pela chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, na quinta-feira, em resposta à repressão violenta aos protestos no Irã. A medida envolve sanções contra a força de elite, ligada ao regime.
Kallas afirmou que quando se age como terrorista, deve-se ser tratado como tal, destacando o papel da IRGC na repressão de civis e no uso de meios considerados aterrorizantes. A UE avalia a adoção da designação diante do agravamento das manifestações no país.
A Guarda Revolucionária, criada em 1979, funciona como pilar do regime islâmico e detém forças terrestres, navais e aéreas, além de unidades no exterior e a milícia Basij. A instituição responde diretamente ao líder supremo do Irã, Ali Khamenei.
Sanções internacionais
Embora reconhecida como órgão oficial no Irã, a IRGC já figura como grupo terrorista em outros países. Os EUA a designaram em 2019, o Canadá em 2024 e a Austrália em 2025, após episódios de violência vinculados à força.
Na UE, a lista de terroristas envolve atualmente alguns altos funcionários. Em 2023 o Parlamento Europeu pediu a inclusão, e a decisão depende dos Estados-membros. A atual repressão aos protestos intensifica o debate sobre a sanção.
Papel na economia
A IRGC ampliou influência na economia iraniana, controlando conglomerados como o Khatam-al-Anbia, responsável por infraestrutura e investimentos estratégicos. A força atua na indústria automotiva, construção, gás, petróleo e farmacêutica.
A instituição mantém conexões com setores imobiliário e de contrabando, ainda que dados oficiais sobre participação no PIB iraniano não sejam públicos. A rede econômica da IRGC fortalece sua posição dentro do país.
Papel no exterior
A brigada Quds da IRGC opera fora do Irã, apoiando grupos alinhados ao regime. No Iraque consolidou forças xiitas, na Síria apoiou Assad, no Líbano o Hezbollah, no Iêmen os Houthis e em Gaza o Hamas, formando o que é conhecido como Eixo da Resistência.
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