- Em Kakamega, no oeste do Quênia, lutas de búfalos acontecem aos domingos, levando jovens a faltar à igreja; a Grace Calvary Christian Baptist Church tem uma congregação de cerca de 30 pessoas.
- Os combates começam pela manhã, com lutas curtas entre búfalos, seguidas por apresentações de lutas dos campeões, enquanto torcedores se agitam na rua.
- A mudança para domingos e a popularidade das disputas têm causado queda de presença juvenil nas igrejas e impactos na participação de jovens em coral, leitura bíblica e acolhimento.
- Os donos dos búfalos investem em comida para fãs, presentes em dinheiro e, recentemente, apostas esportivas, que atraem mais público e geram renda para eventos.
- O pastor Jackson Sikolia trabalha para reter jovens, com projetos de capacitação, como produção de fogões econômicos e briquetes, buscando retomar o papel da juventude na igreja.
Na igreja Grace Calvary Christian Baptist, em Kakamega, o domingo começa com arrumações simples: cadeiras plásticas, janelas abertas e toalhas brancas sobre as mesas no santuário. Enquanto o pastor Jackson Sikolia prepara o sermão, a maioria dos fiéis já chegou.
Ao entrar, observa-se no interior da igreja um público majoritariamente idoso, com pouca presença de jovens. O coro não recebe jovens e apenas uma adolescente ajuda no ensino dominical. Do lado de fora, a movimentação é outra: jovens com vuvuzelas e apitos aguardam o momento de acompanhar as lutas de touros que ocorrem a poucos quilômetros dali.
Contexto local
As corridas de touros atraem milhares de pessoas na região desde os anos 1960. Hoje, feras locais disputam em torneios que muitas vezes começam cedo, por volta das 8h. A competição envolve lutas entre touros campeões, com pausas para apresentações de lutas preliminares.
Para organizações religiosas, a frequência de encontros dominicais tem sido impactada pela tradição. Em Grace Calvary, a congregação de 30 membros sente a ausência de jovens, que eram pilares de leitura bíblica, canto e acolhimento. Sikolia aponta que domingo deve ser dedicado a Deus, não às lutas.
Impactos sociais e econômicos
O fenômeno envolve famílias que criam touros para vender ou obter prêmios em dinheiro, com valores que podem chegar a cerca de 200 mil xelins. Além disso, apostas esportivas já alcançam as lutas, oferecendo retornos aos apostadores. Muitos jovens recebem alimentação após os combates, prática que fideliza a participação.
Especialistas citam desemprego juvenil e a busca por socialização como fatores que atraem o público. Há quem veja os eventos como uma válvula de escape, mas também há preocupações com violência, roubos e uso de drogas entre os presentes. Bancos comunitários e líderes locais discutem como equilibrar tradição e educação.
Respostas das lideranças
Pastores locais, como Moses Isachi, criticam o incentivo ao jogo e ao consumo de recursos familiares, defendendo que isso pode estimular furtos para financiar apostas. Outros líderes sugerem diálogo entre igreja e comunidade para reduzir impactos negativos, mantendo atividades de jovens em programas sociais.
Sikolia descreve ações da igreja para reverter o cenário: desde 2020, ele ensina jovens a produzir fogões de economia de energia e briquetes de carvão, com mira em oportunidades de emprego. O pastor também incentiva a participação juvenil em atividades pastorais, buscando fortalecer a comunidade.
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