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Inuits da Groenlândia dizem que terras árticas não pertencem a ninguém

Inuit da Groenlândia dizem que terras árticas não têm dono, são protegidas coletivamente, em meio a debates sobre soberania entre EUA e Dinamarca

People pass buildings with social housings with an Inuit mural in Nuuk
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  • O governo dos EUA discutiu a Groenlândia como ativo estratégico e a possibilidade de compra, enquanto a Dinamarca mantém sua soberania legal sobre a ilha; para os inuit, ninguém possui a terra ártica.
  • A ideia de posse compartilhada é central para a identidade inuit e está prevista na lei local: é possível possuir casas, mas não a terra sob elas.
  • Em Kapisillit, os moradores descrevem uma vida em natureza livre, com pesca, caça e acesso à cidade via barco e uma estrada de madeira que leva a uma igreja no cliff.
  • A vila enfrenta êxodo de jovens em busca de educação, empregos e serviços, o que pode levar ao fechamento da escola local.
  • Aproximadamente noventa por cento da população de Groenlândia é inuit, que veem a si mesmos como guardiões da terra, não proprietários, enfatizando responsabilidade sobre o território.

No panorama recente envolvendo a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, o debate sobre soberania ganhou repercussão internacional. Estados Unidos, liderados pelo interesse do ex-presidente Donald Trump, sinalizaram a possibilidade de comprar a ilha por razões estratégicas e de segurança nacional, enquanto Berlim afirma a soberania dinamarquesa sobre o território. O tema tem gerado reação entre os inuíte, que vivem na região há séculos.

Para os inuíte, a posse da terra é coletiva. O conceito está enraizado na identidade local e é previsto em lei: é possível possuir moradias, mas não o solo onde elas estão. Em Kapisillit, Kaaleeraq Ringsted, 74, destacou que desde a infância se acostumou a entender a terra como algo a ser partilhado, não possuído.

A vila de Kapisillit mantém uma vida dedicada à autossuficiência, com escola, loja e serviço básico. No entanto, o acesso ao mar é a principal rota de abastecimento, e a comunidade depende de barcos semanais para suprimentos e para sair em busca de alimento. Heidi Lennert Nolso, líder local, afirmou que não há restrições para navegar; a vida é moldada pela natureza.

Elementos centrais da posse de terra

Greenland é governada pela Dinamarca como território autônomo, e não há propriedade privada da terra. A legislação local concede direitos de uso sobre áreas específicas, sem direito de propriedade absoluta. O entendimento entre parte da população é de que a terra existe antes e depois das pessoas, sem que alguém possa concluí-la como própria.

A povação local é majoritariamente inuit, cerca de 90% da população de 57 mil habitantes. Rakel Kristiansen, ligada a tradições shamanísticas, ressaltou que a responsabilidade pela terra é o foco, não a posse. Ela lembrou que a terra é anterior aos seres humanos e continuará existindo.

A realidade cotidiana nas comunidades é de vulnerabilidade econômica e deslocamento demográfico. Atraídos por educação, empregos e serviços, muitos jovens buscam oportunidades fora das vilas, o que aumenta o risco de fechamento de escolas e perda de infraestrutura local. Em Kapisillit, apenas três crianças estudam na escola local, e há risco de fechamento.

Nomes locais ressaltam o desafio de sobrevivência. Kristiane Josefsen, residente desde 1959 e trabalham com peles de foca para uso em trajes nacionais, descreveu o esforço físico associado ao trabalho com peles. Mesmo com expectativas de aposentadoria, a moradora afirma que permanecerá na vila, enfatizando o apego à terra.

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