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Irã acusado de campanha de vingança, médicos presos por atender manifestantes

Governo iraniano prende médicos como retaliação por atender pacientes, com cirurgião sob risco de pena de morte, dizem grupos de direitos humanos

The Iranian surgeon Alireza Golchini, who studied in London, was arrested and reportedly charged with ‘waging war against God’
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  • Irã prendeu médicos que atenderam manifestantes feridos durante a repressão às protests, com pelo menos nove profissionais detidos na última semana.
  • Um cirurgião, Alireza Golchini (52), de Qazvin, foi acusado de moharabeh (guerra contra Deus) e corre o risco de pena de morte; a Justiça não confirmou oficialmente a acusação.
  • Familiares descrevem detenção violenta em frente à esposa e ao filho, além de ferimentos causados durante a prisão.
  • Organizações de direitos humanos apontam uma campanha de “vingança” contra profissionais de saúde que ajudaram os feridos; estimativas indicam milhares de mortos e dezenas de milhares sob investigação.
  • O Departamento de Estado dos Estados Unidos pediu a libertação de Golchini e de todos os profissionais de saúde detidos, condenando a violência contra quem presta assistência médica.

O Irã enfrenta acusações de uma campanha de retaliação contra profissionais de saúde que ajudaram pacientes feridos durante os protestos contra o regime. Um cirurgião, Alireza Golchini, foi preso na cidade de Qazvin, central do país, em 10 de janeiro, após atendimento a manifestantes. As autoridades não divulgaram detalhes oficiais sobre as acusações. Organizações de direitos humanos afirmam que a detenção faz parte de uma ofensiva para intimidar equipes médicas que colaboraram com feridos.

Golchini, de 52 anos, é alvo de denúncia por moharebeh, crime considerado ferir a segurança pública ao enfrentar o Estado. Essa acusação pode levar à pena de morte. A família do médico relata violência durante a abordagem policial, com ferimentos e interrupção da residência. A defesa confirma apenas a prisão, sem confirmação de acusações formais.

A repressão aos profissionais de saúde vem sendo monitorada por organizações internacionais. O Departamento de Estado dos EUA pediu a libertação de Golchini e de todos os trabalhadores detidos. A Operação de segurança também envolve prisões de quem abriu abrigos médicos improvisados para socorrer feridos.

Segundo a Iran Human Rights (IHRNGO), pelo menos nove médicos e voluntários já foram presos na última semana. As forças de segurança teriam invadido abrigos médicos e residências usadas para atendimento a manifestantes feridos. Ainda não há informações sobre o paradeiro de muitos detidos.

A organização HRANA, com atuação no exterior, aponta mais de 6 mil mortos já confirmados e mais de 17 mil casos sob investigação, com o saldo oficial da repressão ainda não divulgado de forma abrangente. Fontes próximas aos profissionais mantêm relatos de violência durante as detenções.

A conjuntura política no país permanece tensa, com o chefe da Magistratura, Gholamhossein Mohseni Ejei, reiterando firmeza contra os protestos. Autoridades não comentaram oficialmente o caso de Golchini, mas defendem ações para manter a segurança pública e impedir desordem.

Pelo menos 42 mil detenções foram registradas em todo o país, segundo fontes de direitos humanos, o que acrescenta pressão sobre redes médicas envolvidas no atendimento a vítimas de violência durante os protestos. As informações apontam para uma estratégia de penalização contra profissionais que atuaram segundo o juramento médico.

Em nota publicada, o Departamento de Estado dos EUA exigiu a libertação de Golchini e de “todos os médicos corajosos que ajudaram seus concidadãos”. A declaração também ressaltou chamadas de autoridades internacionais para conter execuções e punições graves.

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