- Irã prendeu médicos que atenderam manifestantes feridos durante a repressão às protests, com pelo menos nove profissionais detidos na última semana.
- Um cirurgião, Alireza Golchini (52), de Qazvin, foi acusado de moharabeh (guerra contra Deus) e corre o risco de pena de morte; a Justiça não confirmou oficialmente a acusação.
- Familiares descrevem detenção violenta em frente à esposa e ao filho, além de ferimentos causados durante a prisão.
- Organizações de direitos humanos apontam uma campanha de “vingança” contra profissionais de saúde que ajudaram os feridos; estimativas indicam milhares de mortos e dezenas de milhares sob investigação.
- O Departamento de Estado dos Estados Unidos pediu a libertação de Golchini e de todos os profissionais de saúde detidos, condenando a violência contra quem presta assistência médica.
O Irã enfrenta acusações de uma campanha de retaliação contra profissionais de saúde que ajudaram pacientes feridos durante os protestos contra o regime. Um cirurgião, Alireza Golchini, foi preso na cidade de Qazvin, central do país, em 10 de janeiro, após atendimento a manifestantes. As autoridades não divulgaram detalhes oficiais sobre as acusações. Organizações de direitos humanos afirmam que a detenção faz parte de uma ofensiva para intimidar equipes médicas que colaboraram com feridos.
Golchini, de 52 anos, é alvo de denúncia por moharebeh, crime considerado ferir a segurança pública ao enfrentar o Estado. Essa acusação pode levar à pena de morte. A família do médico relata violência durante a abordagem policial, com ferimentos e interrupção da residência. A defesa confirma apenas a prisão, sem confirmação de acusações formais.
A repressão aos profissionais de saúde vem sendo monitorada por organizações internacionais. O Departamento de Estado dos EUA pediu a libertação de Golchini e de todos os trabalhadores detidos. A Operação de segurança também envolve prisões de quem abriu abrigos médicos improvisados para socorrer feridos.
Segundo a Iran Human Rights (IHRNGO), pelo menos nove médicos e voluntários já foram presos na última semana. As forças de segurança teriam invadido abrigos médicos e residências usadas para atendimento a manifestantes feridos. Ainda não há informações sobre o paradeiro de muitos detidos.
A organização HRANA, com atuação no exterior, aponta mais de 6 mil mortos já confirmados e mais de 17 mil casos sob investigação, com o saldo oficial da repressão ainda não divulgado de forma abrangente. Fontes próximas aos profissionais mantêm relatos de violência durante as detenções.
A conjuntura política no país permanece tensa, com o chefe da Magistratura, Gholamhossein Mohseni Ejei, reiterando firmeza contra os protestos. Autoridades não comentaram oficialmente o caso de Golchini, mas defendem ações para manter a segurança pública e impedir desordem.
Pelo menos 42 mil detenções foram registradas em todo o país, segundo fontes de direitos humanos, o que acrescenta pressão sobre redes médicas envolvidas no atendimento a vítimas de violência durante os protestos. As informações apontam para uma estratégia de penalização contra profissionais que atuaram segundo o juramento médico.
Em nota publicada, o Departamento de Estado dos EUA exigiu a libertação de Golchini e de “todos os médicos corajosos que ajudaram seus concidadãos”. A declaração também ressaltou chamadas de autoridades internacionais para conter execuções e punições graves.
Entre na conversa da comunidade