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Presidente afirma que força não trará paz verdadeira para Taiwan em carta ao Papa

Taiwan afirma que apenas seu povo pode decidir o futuro; mudança do status quo pela força não trará paz verdadeira

Taiwan President Lai Ching-te inspects reservists during a training session at Loung Te Industrial Parks Service Center in Yilan
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  • O presidente taiwanês Lai Ching-te afirmou em carta ao Papa Leão que qualquer mudança do status de Taiwan pela força não traz verdadeira paz, em resposta à mensagem da Jornada Mundial da Paz de 1º de janeiro.
  • O Vaticano é um dos 12 aliados diplomáticos formais de Taiwan e o único na Europa; Rome tem feito esforços para melhorar relações com Pequim, incluindo a nomeação de bispos católicos.
  • Lai disse que a democracia, a paz e a prosperidade são o caminho nacional de Taiwan e seu elo com o mundo, e que a ilha buscará a paz no Estreito por meio de ações concretas diante da coerção.
  • Pequim mantém pressão militar diária perto de Taiwan; as últimas manobras ocorreram no fim de dezembro, com o governo de Taipei dizendo que CChina não conversa com Lai, considerando-o separatista.
  • Lai também criticou distorções de documentos da Segunda Guerra Mundial e da interpretação da resolução da ONU de 1971, usadas, segundo Taiwan, para reduzir sua soberania; Taiwan afirma que a resolução não mencionou Taiwan e que a China comunista só surgiu após a guerra.

Taipei informou nesta sexta-feira que qualquer tentativa de alterar o status de Taiwan pela força ou pela coerção não proporcionará verdadeira paz. A declaração foi feita pelo presidente Lai Ching-te em carta dirigida ao Papa Leão, divulgada pelo gabinete presidencial.

O Vaticano é um dos 12 países que mantêm laços diplomáticos formais com Taiwan, sendo o único na Europa. Embora mantenha esse estreitamento, o Vaticano tem buscado melhorar relações com Pequim, inclusive em questões de nomeação de bispos católicos.

Na mensagem, Lai respondeu ao apelo de Leão para o Dia Mundial da Paz, destacando que a democracia, a paz e a prosperidade são o caminho nacional de Taiwan e seu elo com o mundo. O presidente enfatizou a defesa da paz na região do Estreito de Taiwan diante de pressões de governos autoritários da região.

Lai afirmou que, diante de coerção militar de países autoritários, Taiwan opta por ações concretas para resguardar a paz na região, sem mencionar diretamente a China. O governo taiwanês sustenta que apenas o povo taiwanês pode decidir o futuro do território.

A carta também critica interpretações de documentos da Segunda Guerra Mundial e da Resolução da ONU de 1971, que, segundo Taiwan, teriam sido usados para justificar a perda de assento da China na ONU e o reconhecimento unilateral de soberania. Taipei entende que tais interpretações não correspondem à realidade histórica.

Beijing, por sua vez, sustenta que documentos como a Declaração de Cairo e a resolução de 1971 conferem suporte jurídico internacional às suas alegações sobre a soberania de Taiwan. O governo de Taipei sustenta que a resolução não faz menção a Taiwan, e que a China não existia como entidade reconhecida até o fim da Segunda Guerra Mundial.

Taiwan mantém o nome oficial República da China, que governou o país durante a Segunda Guerra Mundial. O governo retrata a mudança de governo em 1949, com a fuga à ilha após a derrota na guerra civil, como contexto para o status atual da relação com a China continental.

Fonte de agência: Reuters, com apuração de Ben Blanchard e edição de Michael Perry.

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