- O Brasil voltou a importar volumes maiores de diesel da Rússia, em detrimento dos envios dos Estados Unidos, por descontos elevados.
- Em janeiro, os embarques russos para o Brasil ficaram em torno de 151 mil barris por dia, o maior desde junho do ano passado e quase o triplo do volume de dezembro (cerca de 58 mil bpd).
- O Brasil faz parte de uma lista restrita de destinos para o diesel russo por causa das sanções em vigor.
- A recuperação da produção nas refinarias russas, aliada aos custos mais baixos do petróleo russo, explica a preferência brasileira, mesmo com riscos de punição e com quedas nas exportações americanas.
- Especialistas apontam que, com a União Europeia dificultando importações de produtos refinados derivados de petróleo russo, o desconto do diesel russo torna a opção brasileira ainda mais atrativa.
Brasil volta a importar diesel russo em volumes expressivos, impulsionados por descontos maiores e pela recuperação da produção nas refinarias russas. O movimento ocorre em meio a sanções limitadas que mantêm o país na lista de destinos permitidos.
Dados da Vortexa apontam média de cerca de 151 mil barris por dia em janeiro, o maior desde junho do ano passado, e quase o triplo frente a dezembro, quando foram cerca de 58 mil. As remessas americanas caíram em torno de 20 mil barris por dia.
Essa mudança acompanha o cenário em que a Rússia intensifica a exportação de diesel, apesar de ataques à infraestrutura e de sanções europeias que pressionam as refinarias. A importância estratégica do Brasil no abastecimento é destaque na análise de mercado.
A participação russa no diesel importado pelo Brasil caiu para 19% em novembro do ano passado, após ter sido de 70% em junho. Já os EUA passaram a responder por mais de 50% das compras no mesmo período, antes de o deslocamento atual reverter parcialmente essa tendência.
Especialistas explicam que o custo baixo da Rússia minimiza impactos logísticos de longo alcance, tornando a importação atraente mesmo diante de eventuais riscos regulatórios e de reputação. O Brasil ganha, assim, vantagem de custo na fase atual.
Em paralelo, analistas ressaltam que a UE restringe cada vez mais as importações de produtos refinados feitos com petróleo russo, o que reduz a opção de destinação para o diesel russo. A consequência é maior procura pelas parcelas disponíveis na América do Sul.
Segundo avaliações de mercado, caso as compras de diesel dos EUA continuem pressionadas, novos fluxos podem se abrir para destinos como a América do Sul, África e outras regiões com maior demanda. O Brasil figura entre os destinos mais relevantes nesse cenário.
Há ainda questionamentos sobre a durabilidade desse ajuste. Enquanto alguns veem o movimento como reação a condições pontuais de preço, outros apontam que mudanças estruturais na geopolítica energética podem manter a Rússia como fornecedora relevante ao país.
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