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Como os EUA esqueceram que eram uma nação ártica

Washington negligenciou o Ártico por décadas; com Trump 2.0, a região ganha centralidade estratégica, com foco em recursos e na relação com Groenlândia

An aerial view of an oil pipeline passing over a blue and icy river.
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  • Trump fez apenas cinco visitas oficiais ao Alasca desde 2017, bem menos que as visitas a Flórida em 2025.
  • Em 2025, encontro com Vladimir Putin em base militar no Alasca foi visto como símbolo, mas o estado permaneceu distante do foco principal de Trump, que incluiu Greenland.
  • Historicamente, os EUA viam o Ártico como área de cooperação e defesa; o Arctic Council (Conselho Ártico), criado em noventa e seis, consolidou esse papel pacífico.
  • Nos últimos anos, o Ártico tornou-se região estratégica para recursos, defesa e mudanças climáticas; a política norte-americana tem se reorientado, com ênfase em segurança nacional e, recentemente, Greenland.
  • O livro Reluctant Conquest traça a evolução da relação dos EUA com o Ártico, desde a Revolução até a era Biden, destacando o “excepcionalismo ártico” e as mudanças geopolíticas recentes.

Desde 2017, a administração de Donald Trump teve pouca presença política no Ártico, região de grande relevância estratégica e geopolítica. O texto analisa o que ocorreu e por que o Ártico ganhou menos atenção até a configuração de uma pauta mais agressiva no início de 2026.

A obra Reluctant Conquest, de Kathryn C. Lavelle, traça a trajetória da política dos EUA no Ártico desde a Revolução Americana até o fim da era Biden. O livro debate por que a região não faz parte da identidade nacional de forma tão nítida quanto em outras nações do Norte.

Lavelle aponta que, historicamente, os EUA se autorreconhecem como poder ártico relutante, com políticas oscilando entre isolamento e cooperação internacional. A autora enfatiza a importância da cooperação científica e de acordos multilaterais para manter o Ártico uma zona de cooperação pacífica.

O ARCTIC COUNCIL surge como elemento central, criado para conduzir temas como ciência, meio ambiente e governança regional. O grupo reúne oito nações com território acima do Círculo Polar, incluindo EUA, Canadá, Noruega, Rússia, Dinamarca, Suécia, Finlândia e Islândia.

No século XX, a região ganhou significado estratégico durante a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria, quando o Ártico serviu como rota de defesa e de operações militares. A rede de alianças moldou a percepção de segurança do hemisfério norte.

Três acordos juridicamente vinculativos destacaram-se na década de 2010, envolvendo cooperação científica, busca e salvamento e resposta a poluição no Ártico. Mesmo assim, o objetivo maior foi manter a região em moldes de cooperação e não de militarização.

Nas últimas três anos, o cenário mudou. A invasão russa da Ucrânia em 2022 levou a suspensões e a tensões no Conselho, complicando a diplomacia Arctic. A adesão da Suécia e da Finlândia à OTAN intensificou o eixo de relacionamento com a Rússia.

A pauta de Greenland ganhou proeminência na agenda de Trump, com interesse em retomar o território autônomo dinamarquês. O tema tem potencial de influenciar a dinâmica entre EUA, Dinamarca e a OTAN, dependendo de eventuais mudanças de estratégia.

O livro também revisita o papel histórico de Alaska, desde a compra em 1867 por 7,2 milhões de dólares à época, até seu papel como fronteira estratégica durante conflitos globais. O texto analisa como a região moldou política externa e defesa dos EUA.

A autora destaca que as decisões sobre o Ártico refletem uma interdependência entre ciência, comércio, energia e defesa. Os próximos anos são considerados decisivos para definir se o Ártico se tornará palco de cooperação estável ou de competição acirrada.

No âmbito interno, as expectativas para 2026 apontam para um plano nacional de pesquisa ártica com foco em segurança energética, ciência e defesa. Analistas indicam que o clima político atual tende a privilegiar interesses estratégicos.

A obra ressalta ainda que a cooperação multilateral, englobando o Conselho Ártico, pode sustentar a estabilidade regional diante de disputas entre potências. A narrativa traça um panorama de transição entre passado de contenção e futuro de confrontos diplomáticos.

Para entender a atual abordagem dos EUA sobre o Ártico, Lavelle analisa a evolução de alianças, de disputas históricas a uma agenda que mescla pesquisa, governança ambiental e segurança. O livro chega em meio a debates sobre o papel norte-americano no extremo norte.

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