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Eleições em Mianmar dão vitória a partido apoiado pelos militares

Vitória esmagadora do partido apoiado pela Junta consolida domínio parlamentar, enquanto críticos denunciam irregularidades e milhões permanecem deslocados

General election in Myanmar
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  • O Partido Union e Solidarity Party (USDP), apoiado pelo militar, venceu amplamente as eleições em Myanmar, com 232 de 263 cadeiras na Câmara baixa e 109 de 157 na Câmara alta já anunciadas.
  • A votação ocorreu em três fases entre 28 de dezembro e o final de janeiro, em meio a conflito civil e repressão generalizada.
  • O parlamento deve se reunir em março para eleger o presidente, com o governo novo tomando posse em abril, segundo a Eleven Media citando a junta.
  • A participação ficou em torno de 55%, menor que em eleições anteriores, com votações canceladas por combates entre o Exército e grupos étnicos armados.
  • A junta mantém controle após a transição formal, com Min Aung Hlaing liderando o processo e críticas de organismos internacionais e de alguns países ocidentais.

Myanmar: vitória do partido apoiado pelo exército em meio a guerra civil

O partido Union and Solidarity Party (USDP), apoiado pelos militares, venceu amplamente as três fases da eleição geral de Myanmar, segundo a estatal. A apuração indica domínio nas duas casas do parlamento, consolidando o resultado esperado após um processo político rigidamente controlado durante o conflito e a repressão.

A contagem mostra o USDP com 232 das 263 cadeiras abertas no Pyithu Hluttaw, a Câmara baixa, e 109 das 157 cadeiras já anunciadas no Amyotha Hluttaw, a Câmara alta, conforme resultados divulgados nesta quinta e sexta-feira.

A abertura do parlamento está prevista para março, com a posse de um novo governo prevista para abril, conforme a Eleven Media Group, citando o porta-voz da junta, Zaw Min Tun.

Contexto e reação internacional

O pleito ocorreu no fim de janeiro, encerrando uma eleição iniciada em 28 de dezembro, mais de quatro anos após o golpe militar que derrubou o governo eleito, liderado por Aung San Suu Kyi. Myanmar permanece em crise política desde então, com repressão a protestos pró-democracia e uma Rebelião de grande escala.

A participação eleitoral atingiu cerca de 55%, queda em relação a eleições anteriores, marcadas por mobilização de cerca de 70%. O pleito foi realizado em 263 dos 330 municípios, com várias áreas sob controle restrito devido a enfrentamentos entre as Forças Armadas e grupos étnicos armados.

Desdobramentos e controvérsias

O governo militar sustenta que as eleições foram livres e justas, com apoio popular. A Liga Nacional para a Democracia de Suu Kyi foi dissolvida, assim como outras dezenas de partidos, o que críticos veem como entrada formal para a continuidade do domínio militar.

O USDP, criado em 2010 como sucessor institucional do regime militar, disputou a eleição com 1.018 candidatos. O exército, representado pelo Tatmadaw, mantém 25% das cadeiras parlamentares, o que assegura influência contínua mesmo após a transição formal.

O chefe da junta, Min Aung Hlaing, aguarda papel central na próxima administração, defendendo as urnas como passo para a estabilidade e afirmando que as responsabilidades de Estado serão transferidas ao governo eleito. Ele reforçou, em meio à cobrança externa, o compromisso com a defesa e a segurança nacionais.

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