- Em Sana, capital do Iêmen, o grupo armado houthis removeu equipamentos de telecomunicações pertencentes à ONU e alguns veículos, conforme informou a coordenadora-residente da ONU para o Iêmen, Julien Harneis, em 30 de janeiro, em Genebra.
- Os equipamentos são parte da infraestrutura mínima necessária para a presença da ONU e para a implementação de programas no país.
- A ONU alerta que novas restrições às suas atividades podem agravar a crise humanitária, com cerca de 21 milhões de pessoas precisando de ajuda.
- As operações humanitárias da ONU ficam limitadas às áreas sob controle do governo reconhecido; as áreas controladas pelos houthis ficam sem acesso à assistência, correspondendo a cerca de setenta por cento das necessidades.
- setenta e três colegas da ONU estão detidos desde 2021; os voos do Serviço Aéreo Humanitário da ONU foram suspensos para Sanaa por mais de um mês e para Marib por mais de quatro meses, o que complica a entrada e saída de trabalhadores humanitários.
O movimento hegemônico Houthi, alinhado ao Irã, removeu equipamentos críticos de telecomunicações pertencentes às Nações Unidas na capital do Iêmen, Sanaa. A ação foi comunicada pela ONU na sexta-feira, com atenção para o impacto sobre a assistência humanitária no país.
Segundo o Coordenador Residente e Humanitário da ONU no Iêmen, Julien Harneis, a retirada envolveu várias instalações da ONU em pelo menos seis escritórios desocupados. Entre os itens levados estavam equipamentos de telecomunicações e veículos, cuja localização permanece desconhecida.
A ONU alerta que novas restrições ao seu trabalho podem agravar a crise humanitária. Cerca de 21 milhões de pessoas no Iêmen dependem de ajuda, em meio a anos de conflito, deslocamento e cortes de financiamento.
Impactos operacionais e contexto
Harneis expõe que os equipamentos representam infraestrutura mínima necessária para a presença e a implementação de programas da ONU no território. A organização tem sinalizado limitações de acesso, com operações restritas a áreas sob controle do governo reconhecido internacionalmente.
A ONU também aponta que as regiões sob controle dos Houthi respondem por uma parcela significativa das necessidades humanitárias. Em setembro, a base da coordenação foi deslocada para Aden após a detenção de múltiplos funcionários em Sanaa.
Aduções de segurança e diálogo
Os Houthis não reagiram de imediato a pedidos de comentário sobre o incidente. Em mensagens anteriores, o grupo já havia classificado o trabalho de agências como a Programa Mundial de Alimentos como uma operação de natureza política, militar e de inteligência.
A Organização das Nações Unidas ressaltou ainda que a concessão de voos da Humanitarian Air Service para Sanaa e Marib está suspensa por períodos prolongados, o que dificulta a entrada e saída de trabalhadores humanitários das áreas sob controle do movimento.
A situação de segurança dos funcionários da ONU se deteriora, com 73 colegas detidos desde 2021. A ONU permanece presente apenas nas áreas sob controle de governos reconhecidos, deixando cerca de 70% das necessidades sem cobertura direta.
Desdobramentos e próximos passos
Especialistas apontam que a capacidade de monitorar, entregar ajuda e manter serviços básicos pode se reduzir se as restrições persistirem. A ONU continua buscando vias para manter a assistência vital em meio ao ambiente inseguro e às complexas relações entre o movimento Houthi e a comunidade internacional.
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