- Câmara de Dahua Technology, empresa chinesa, equipa câmeras que vigiam a Magna Carta na Catedral de Salisbury, símbolo histórico de democracia.
- Outro conjunto de câmeras, da Hikvision (China), monitora o Parthenon, na Grécia, também alvo de críticas.
- Grupos como World Uyghur Congress e Don’t Fund Russian Army dizem que as empresas podem permitir espionagem remota e citaram ligações com vigilância de Uyghures e uso na guerra na Ucrânia.
- Já havia removido câmeras dessas firmas de sites do governo do Reino Unido por receio de acesso remoto pela China; agora pedem remoção também nos dois sites históricos.
- Autoridades da catedral e do Parthenon não responderam a pedidos de comentário; autoridades competentes investigam incidentes de hackeamento e transmissão de imagens associadas a ações russas.
Câmeras de vigilância na edição magna do século são fornecidas por uma empresa chinesa cuja tecnologia é alvo de acusações ligadas a abusos de direitos humanos e uso por forças russas. A instalação acontece em Salisbury Cathedral, que abriga uma das quatro cópias remanescentes da Magna Carta, e no Parthenon, em Atenas, sítio monitorado por equipamentos de Dahua Technology e Hikvision, respectivamente. Organizações de defesa pedem a retirada dos dispositivos, após críticas anteriores de retirada em locais sensíveis do governo britânico.
O alerta vem da World Uyghur Congress, que representa a minoria uigur, e de Don’t Fund Russian Army, organização ucraniana. Em cartas e comunicações, as entidades acusam Dahua de participação presumida em sistemas de reconhecimento facial usados para controle e repressão no Xinjiang, região de maioria uigur. O objetivo é convencer Salisbury Cathedral a remover as câmeras da Dahua.
Relatos também citam a Hikvision, cuja presença no Parthenon foi alvo de comunicação similar. As organizações destacam vulnerabilidades de segurança que teriam permitido invasões remotas, inclusive durante a invasão russa na Ucrânia, com acesso a imagens de posições militares e ataques aéreos.
O pedido envolve ainda autoridades responsáveis pela gestão dos dois monumentos. Em Salisbury, a catedral afirma receber e tratar comunicações de segurança com revisão constante de fornecedores e sistemas, sem comentar publicamente sobre o conteúdo específico das mensagens recebidas. A Dahua é citada como instalada pela empresa britânica ARC Fire Safety & Security, que não respondeu a pedido de comentário.
Debates sobre vulnerabilidades e respostas
Na Ucrânia, relatos indicam que câmeras de Dahua e Hikvision teriam sido hackeadas por forças russas para vigilância de posições de defesa. Um membro da Don’t Fund Russian Army disse que imagens de missões militares foram divulgadas online para uso de propaganda estratégica. A divulgação de vídeos de ataques também aparece como elemento de pressão psicológica contra civis.
Um parlamentar ucraniano confirmou à imprensa local que autoridades de segurança identificaram, em 2024, tentativas de invasão a sistemas conectados a câmeras de Dahua e Hikvision, levando à remoção de equipamentos em alguns pontos estratégicos. Segundo ele, códigos de entrada teriam sido violados para acessar redes vinculadas a esses dispositivos.
Autoridades vinculadas às duas praças históricas não comentaram publicamente sobre as evidências apresentadas pelas organizações. Até o fechamento desta reportagem, não havia resposta formal de Dahua nem de Hikvision a pedidos de esclarecimento.
Contexto adicional
As campanhas destacam que o uso de câmeras de origem chinesa em monuments de democracia e direitos humanos acende debates sobre governança de segurança e soberania tecnológica. Países já tomaram medidas semelhantes, removendo equipamentos de fornecedores considerados de risco em áreas sensíveis. A situação permanece em avaliação pelas instituições envolvidas.
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