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Deputados franceses exigem explicação sobre contrato de tecnologia com ICE

Membros do parlamento francês pedem explicações sobre contrato da Capgemini com a Imigração e Alfândega dos EUA para rastrear e remover migrantes

Masked ICE agents stand amid teargas in Minneapolis.
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  • Deputados franceses exigiram explicação após a Capgemini assinar contrato multimilionário com a ICE para rastrear e expulsar migrantes nos EUA.
  • A subsidiária Capgemini Group Solutions (CGS) teria fechado contrato de 4,8 milhões de dólares com a ICE para serviços de “skip tracing”, com bônus de até 365 milhões de dólares por sucesso.
  • A empresa afirmou que o acordo foi assinado em dezembro, mas ainda não entrou em vigor; havia recursos legais em curso que questionam a validade do contrato.
  • Críticos, entre eles ministros e o Observatoire des Multinationales, pedem maior transparência e alertam para possíveis violações de direitos humanos; o CGT, sindicato da Capgemini, pediu suspensão imediata das colaboração com a ICE.
  • Capgemini tem, segundo registros públicos, 13 contratos com a ICE; a empresa disse que não pode detalhar operações técnicas por regras dos EUA e que está buscando esclarecer a situação junto aos funcionários.

O jornalismo brasileiro acompanha a reação a um contrato assinado por uma subsidiary francesa com a agência de imigração dos EUA. A Capgemini Group Solutions, braço da multinacional de serviços digitais listada na Bourse de Paris, fechou um acordo com a ICE para serviços de rastreamento e identificação de migrantes, com bônus de remuneração por desempenho. A assinatura ocorreu em dezembro, segundo o Observatório das Multinacionais, e envolve a prestação de serviços de “skip tracing” para operações de fiscalização e expulsão.

Segundo o observatório, o contrato foi firmado com o escritório de Detention Compliance and Removals da ICE, no valor de cerca de 4,8 milhões de dólares. O documento cita que a CGS forneceria serviços de rastreamento de pessoas para apoiar operações de aplicação da lei, com potenciais bônus de até 365 milhões de dólares por resultados bem sucedidos na localização de estrangeiros.

A notícia provocou críticas na França. Ministros e membros do Parlamento pleiteiam maior transparência sobre contratos que possam violar direitos humanos. A ministra das Forças Armadas, Catherine Vautrin, afirmou que contratos de grupos franceses merecem escrutínio próximo e que o respeito aos direitos humanos é fundamental. Um deputado da esquerda, Hadrien Clouet, afirmou que o país precisa questionar a participação de empresas francesas em tais acordos.

Roland Lescure, ministro da Economia, informou à Assembleia Nacional ter solicitado que a Capgemini explique suas atividades de maneira extremamente transparente e questione a natureza dessas operações. Em resposta interna, a Capgemini reconheceu que o contrato com a ICE levanta questões legítimas, alegando ter sido informada apenas recentemente sobre a natureza do acordo, e afirmou que não é possível detalhar operações técnicas de CGS de acordo com regulamentações dos EUA.

Dados públicos apontam que a Capgemini tem cerca de 350 mil funcionários e, segundo documentos disponíveis, mantém 13 contratos ativos com a ICE. Entre as linhas de atuação, há uma que gerencia uma linha direta para vítimas de crimes cometidos por estrangeiros. A empresa, que já removeu uma página do ar que mencionava cooperação com operações de deportação da ICE, foi alvo de críticas por supostamente apoiar operações de fiscalização e expulsão.

Em meio à controvérsia, a CGT, sindicato da Capgemini, pediu a suspensão imediata de qualquer colaboração com a ICE. Um porta-voz afirmou que parcerias nesse formato contradizem valores da empresa e colocariam o grupo como cúmplice de violações de direitos humanos. A Capgemini informou que está avaliando o caso e que não há execução do contrato enquanto houver recurso.

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