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Europa pode se defender sem os EUA? capacidades, custos e alianças

Europa busca ampliar defesa independente até 2030, mirando capacidades-chave e possível força europeia, diante de incertezas sobre garantias dos EUA

Danish soldiers taking part in the Arctic Endurance military exercise in Greenland on 19 January. Photograph: EyePress News/Shutterstock
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  • O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse que a Europa não consegue se defender sem os EUA, e que substituir a dissuasão nuclear americana exigiria dobrar os gastos já previstos.
  • Parlamentares europeus reagiram com ceticismo; surge a ideia de um exército europeu, mas ainda há dúvidas sobre formato, comando e viabilidade.
  • Líderes europeus defendem que a Europa assuma mais responsabilidade de segurança, com mensagens de que a defesa não pode depender apenas dos EUA.
  • A UE planeja aumentar gastos com defesa para 5% do PIB até 2035 e lançou um plano de defesa de 800 bilhões de euros, embora haja desafios de coordenação e de dependência de ativos americanos.
  • Especialistas destacam que, mesmo com progresso, substituir completamente a capacidade dos EUA não é simples; é preciso definir interesses estratégicos e melhorar a coordenação industrial.

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou de forma franca nesta semana, aos membros do Parlamento Europeu, que a UE não pode se defender sem os EUA. Em Estocolmo? Não. Em Bruxelas, ele deixou claro: quem acha que Europa pode prescindir dos EUA está sonhando.

Rutte disse que, para substituir a dissuasão nuclear norte-americana, os gastos atuais teriam que dobrar. A fala gerou críticas entre alguns eurodeputados, especialmente entre quem tem posições mais abertas a colaborar com Washington.

Reações na Europa

Jean-Noël Barrot, ministro das Relações Exteriores da França, reagiu pelas redes sociais, dizendo que os europeus devem assumir a segurança por conta própria, com o apoio americano. Albares, da Espanha, sugeriu a criação de um exército europeu, reconhecendo a complexidade de uma mudança rápida.

O caminho para uma defesa europeia

A ideia de uma força europeia levanta questões sobre formato e comando. Seria europeia, da UE, ou apenas europeia? Comunitário em Bruxelas ou uma versão fortalecida das estruturas existentes? A discussão permanece aberta.

Orquestração de capacidades

Especialistas destacam a necessidade de reduzir a dependência de capacidades norte-americanas, com foco em inteligência, satélites, mísseis de longo alcance, capacidade de mobilização e defesa antimísseis. A meta é acelerar avanços até 2030, mantendo diálogo com os EUA sobre ativos além desse prazo.

Desafios de financiamento

O acordo da Otan prevê aumento de gastos para 5% do PIB até 2035. A União Europeia tem um plano de defesa de cerca de 800 bilhões de euros, com 23 dos 27 membros da OTAN. A soma de recursos não resolve sozinha os entraves de coordenação e planejamento.

Perspectivas de especialistas

Analistas divergem sobre o ritmo de autonomia europeia. Alguns destacam que o objetivo é reduzir dependências, não substituir tudo o que os EUA fornecem. Outros alertam para o risco de prometer algo sem detalhar como alcançar.

Barreiras práticas

Plataformas e tecnologias diferentes entre os países geram duplicação de esforços. O exemplo citado envolve sistemas de artilharia e blindagens, com múltiplos modelos usados pela UE em contexto de apoio a Ucrânia, o que complica a logística.

Ponto de atenção

A defesa europeia encara ainda a necessidade de definir interesses estratégicos comuns. Entre opções discutidas estão a deterrência europeia e o papel de forças armadas próprias em áreas que vão do Ártico ao Pacífico.

Conclusões em aberto

Ao longo dos debates, o consenso é de que a OTAN precisa se tornar mais europeia para manter a força coletiva. O tema, porém, continua a exigir decisões políticas, técnicas e estratégicas compartilhadas.

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