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Abertura da fronteira de Gaza, aguardada por palestinos retidos

Rafah reabre sob acordo de cessar-fogo; palestinos presos entre Gaza e Egito aguardam reencontros, tratamento médico e evacuações, com controle ainda de Israel

Palestinian patient with kidney failure undergoes dialysis treatment at Al-Aqsa Martyrs Hospital, in Deir al-Balah
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  • A travessia de Rafah reabriu nesta segunda-feira como parte do acordo de cessar-fogo de outubro; Israel mantém controle total da fronteira com Gaza, e ainda não está claro como será a retomada plena daspassagens.
  • Palestinos presos de um lado e outro da fronteira continuam dependentes de uma retomada parcial para retornar a Gaza ou sair para tratamento médico, após ficar fechada desde o verão de 2024.
  • Histórias de quem espera retornar: mãe separada da família há quase dez meses e pessoas que perderam casas ou aguardam reencontro com familiares, enfrentando condições difíceis na região.
  • Atlas de saúde: mais de 20 mil pacientes, incluindo crianças e pacientes de câncer, esperam evacuação para tratamento médico fora de Gaza, segundo a Organização Mundial da Saúde.
  • Alguns contam com a possibilidade de cumprir planos adiados, como casamentos, e famílias veem a abertura como chance de reunificação, ainda que haja incertezas sobre as condições da passagem.

A fronteira de Rafah entre Gaza e o Egito foi reaberta parcialmente nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, como parte de um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas. Palestinos retidos no interior de Gaza e no Egito aguardavam com apreensão a volta das viagens, enquanto autoridades ainda não esclareceram como funcionará a retomada completa.

A expectativa era que as passagens para dentro e fora do Gaza voltassem de forma gradual, sob condições ainda indefinidas. Israel mantém controle total da fronteira, o que impede previsões sobre o ritmo da reabertura. A abertura parcial representa o retorno de alguns deslocados e pacientes que precisam de tratamento fora.

Entre os que esperavam, estavam moradores de Gaza que perderam casas ou não conseguiam visitar familiares, além de pessoas com necessidade médica urgente. A família de Faten Hamed Abu Watfa, por exemplo, está separada há quase 10 meses, após Gaza ser cortada da família durante o conflito.

Desespero e expectativas de retorno

Abu Watfa, morando temporariamente no Cairo, descreveu a expectativa de reencontrar os filhos, que ficam em Gaza, após o fechamento da fronteira. Ela afirmou que, ao retornar, pode encontrar uma casa destruída e enfrentar dificuldades logísticas durante a viagem de volta.

Mohammad Talal al-Burai, comerciante de câmbio de Jabalia, também aguarda a passagem para retornar a Gaza. Ele explicou que pretende enfrentar possíveis dificuldades logísticas na viagem, mas quer ficar próximo dos familiares. A casa dele em Gaza foi destruída durante a ofensiva.

Para alguns, a abertura é uma oportunidade de tratar de saúde fora de Gaza. Tamer Al-Burai, primo de Mohammad, depende de equipamentos médicos para dormir com segurança e citou a falta de energia e combustível como piora de sua condição. Ele já procurou apoio internacional para deixar a região.

Ao todo, milhares de pacientes de Gaza aguardam evacuação médica, com a Organização Mundial da Saúde estimando cerca de 20 mil pessoas, incluindo crianças e pacientes de câncer, na lista. Entre os casos está Noor Daher, designer gráfica com um defeito cardíaco crônico, que expressou esperança de que o tratamento seja possível.

Pessoas aguardando soluções médicas

Em meio aos relatos, houve uma fatalidade que evidencia a urgência de passagem. Dalia Abu Kashef, uma mulher de 28 anos, morreu recentemente enquanto aguardava a lista de Rafah para uma cirurgia de transplante de fígado. O marido relatou que o casal buscava uma solução para uma doação de parte de fígado por um familiar. A família aguardava a abertura da fronteira para realizar a cirurgia.

O contexto do fechamento prolongado amplifica o dilema entre retornar a uma Gaza destruída e permanecer no Cairo ou em outros países. Aerundos de ajuda humanitária e de saúde continuam a buscar caminhos para acelerar evacuações clínicas, independentemente do andamento do acordo de cessar-fogo.

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