- Em algum mês, o primeiro-ministro húngaro Viktor Orban recebeu endosso coordenado de lideranças da extrema direita europeia, como Giorgia Meloni, Aleksandar Vucic e chefs de Vox, AfD e outras siglas; o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também elogiou Orban em declarações gravadas.
- Netanyahu tem histórico de apoio a Orban, mas as relações entre Israel e a direita europeia não são uniformes: Meloni, por exemplo, já foi crítica de Israel, e o AfD costuma ser rejeitado por questões de antisemitismo.
- Além das relações formais, Israel tem ampliado o diálogo com a direita europeia por meio do ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa’ar, e do ministro das Minorias (Amichai Chikli), envolvendo o Likud em alianças dentro de blocos europarlamentares.
- A aproximação ocorre em parte por realpolitik: as forças de direita na Europa costumam pautar imigração e a expansão de populações muçulmanas, setores com os quais Israel busca alinhamento, mesmo com o risco de antisemitismo entre alguns membros.
- Embora haja ganhos estratégicos (principalmente com o bloco comercial da União Europeia), o esforço não garante simpatia duradoura; nos Estados Unidos, a direita extremista também tem postura ambígua em relação a Israel, o que complica a aposta israelense em alianças com tendências anti-Israel no longo prazo.
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, recebeu apoio de aliados da direita europeia em uma campanha eleitoral, com endorsement coordenado de Meloni, Vucic e líderes de Vox, AfD, National Rally e outras siglas. Netanyahu também gravou declarações elogiando Orbán.
O gesto ocorre em meio a críticas antigas de Israel a forma como esses partidos lidam com antisemitismo e governança. Ao longo dos últimos anos, orbítas de direita na Europa já atraíram reações ambíguas de Israel, que tradicionalmente evita alianças com forças nacionalistas.
Apoio entre Orbán e a direita europeia não é novidade no cenário político israelense, mas ainda é visto com cautela por muitos. Em 2025, Budapeste rompeu com o Tribunal Penal Internacional, segundo indicam relatos, reforçando laços pessoais entre líderes.
Ainda assim, nem toda a direita europeia acolhe Israel com entusiasmo. Meloni adotou postura crítica em relação a Israel durante a guerra em Gaza, e o AfD tem histórico de tensões com a comunidade judaica. A Austria’s Freedom Party também é vista como linha vermelha.
Entretanto, o esforço diplomático não se restringe a contatos formais. O chanceler de Israel orientou diplomatas a dialogar com a National Rally, Vox e Sweden Democrats; o partido Likud ganhou status de observador em um grupo europeu alinhado a Orbán.
Outras frentes de Israel envolvem Amichai Chikli, ministro responsável pelas relações com a diáspora, que promove visitas e encontros com figuras da direita europeia, às vezes provocando atritos com comunidades judaicas no exterior.
As razões políticas vão além da proximidade ideológica. A ausência de consenso entre europeus sobre a Palestina favorece alianças pragmáticas com setores anti-imigração, que defendem políticas de segurança mais duras, vistas como favoráveis a Israel.
Do ponto de vista israelense, as alianças com a direita europeia são táticas para manter influência na UE, ora ainda vendo o bloco como parceiro comercial importante, apesar de críticas sobre a condução da guerra em Gaza.
A estratégia também busca contornar a queda de apoio entre eleitores europeus à esquerda e ao centrismo, mesmo diante de preocupações com o antissemitismo entre alguns membros da direita. O efeito diplomático permanece incerto.
No cenário global, a convivência entre o governo israelense e a direita europeia continua a ser objeto de debate entre analistas, que ressaltam riscos de reviravoltas políticas e de mudanças na postura de Israel frente a alianças internacionais.
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