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Separatistas brancos sul-africanos reivindicam terra do rei Zulu

Boervolk sustenta que terra em KwaZulu-Natal foi cedida pelos reis Zulu, mas foi tomada pelos britânicos; governo não deve reconhecer a reivindicação

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  • O grupo Boervolk of the Orange Free State publicou no diário oficial uma alegação de propriedade de terras na província de KwaZulu-Natal, próximo à fronteira com Lesoto.
  • A reivindicação afirma que a terra foi adquirida de dois reis zulus, Dingaan e Mpande, e sustenta que a Grã-Bretanha a levou à África do Sul durante a segunda guerra anglo-‘boer.
  • O Boervolk diz seguir o exemplo de Donald Trump ao questionar direitos de colonização de territórios vizinhos, citando Groenlândia como paralelo.
  • Não houve resposta de um porta-voz do Boervolk nem do departamento de reforma agrária da África do Sul a pedidos de comentário.
  • O governo já permitiu que o grupo Orania estabeleça uma pequena comunidade na região, e é improvável que aceite a reivindicação do Boervolk; historiadores apontam que a noção de posse de terra difere entre Zulus e europeus.

O Boervolk of the Orange Free State, grupo secessionista branco, reivindica terras na província de KwaZulu-Natal, próximo à fronteira com Lesoto. A alegação foi publicada no gazette do governo na semana passada, citando uma resolução da ONU que previa independência de estados coloniais.

O grupo afirmou ter se inspirado no questionamento de Donald Trump sobre se a colonização dinamarquesa de Groenlândia legitimaria a posse sobre território ártico. Não houve resposta aos pedidos de comentário enviados aos porta-vozes do Boervolk ou ao Ministério de Reforma Agrária.

O governo sul-africano já permite que o grupo Orania — uma comunidade branca separatista na região do Rio Orange — funcione, mas não aceitaria a reivindicação do Boervolk de KwaZulu-Natal.

Contexto histórico

O Boervolk of the Orange Free State representa Afrikaners, descendentes principalmente de colonos holandeses que chegaram ao Cabo no século XVII. Eles afirmam ter recebido a terra por meio de acordos com os reis zulus Dingaan e Mpande, no século XIX.

Os atores apontam que a terra foi adquirida de maneira identificada como acordo entre compradores e vendedores, com a alegação de que a Grã-Bretanha não teria legitimidade para ceder o território ao remoto governo da União Sul-Africana em 1910.

Historiadores destacam que Dingaan autorizou a concessão de terras aos colonos em 1837, mas o entendimento ocidental de propriedade de terra não corresponde ao conceito zulú tradicional. O conflito entre Zulus e colonizadores moldou o cenário regional.

A reportagem foi produzida por Tim Cocks, com edição de Timothy Heritage.

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