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Abusos de Trump e recessão democrática ameaçam direitos humanos, diz HRW

HRW aponta recessão democrática global, com Trump, Rússia e China colocando a ordem internacional de direitos humanos em risco

President Trump launching his ‘Board of Peace’ in Davos last month. Supporters include several far-right leaders, such as Argentina’s Javier Milei and Hungary’s Viktor Orbán.
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  • A HRW afirma que o mundo vive uma recessão democrática, com 72% da população global sob regimes autocráticos e o nível mais baixo desde os anos oitenta.
  • Em 2025, a administração de Donald Trump seria responsável por ataques a eleições, à responsabilização governamental e à independência do sistema judiciário, ameaçando a ordem internacional baseada em regras.
  • A organização diz que a China e a Rússia reforçam o desafio à ordem global de direitos humanos, agravando os impactos das ações dos EUA e corroendo mecanismos de freios e contrapesos.
  • O relatório também critica o Reino Unido, apontando retrocessos em direitos, políticas de imigração punitivas e restrições ao direito de protesto, com retórica anti-imigração que repercute na Europa.
  • Propõe que democracias formem uma aliança estratégica para preservar a ordem baseada em normas, fortalecendo a atuação de sociedades civis e criando um bloco de poder político e econômico com influência no trabalho da ONU.

A Human Rights Watch (HRW) afirma que o mundo atravessa uma “recessão democrática”, com quase três quartos da população global vivendo sob regimes autocráticos pela primeira vez desde a década de 1980. O relatório aponta que o sistema de direitos humanos está em risco devido a uma onda autoritária crescente.

Segundo o documento, 2025 foi um ponto de inflexão para as liberdades nos Estados Unidos, com ações do governo de Donald Trump que enfraqueceram pilares da democracia e do sistema internacional de regras. A organização descreve uma intensa ofensiva contra freios e contrapesos existentes.

A HRW cita ainda evidências de que governos autoritários, especialmente na Rússia e na China, atuam para desmantelar a ordem baseada em normas globais. As ações do governo norte-americano, associadas a essas tendências, teriam impactos significativos em direitos e governança mundial.

Entre os impactos destacam-se ataques à confiança nas eleições, menor responsabilização governamental e pressões sobre a independência judicial. A organização aponta também abusos contra a imprensa, universidades, organizações da sociedade civil e até profissionais de direito.

No Reino Unido, o relatório identifica uma deterioração de direitos em 2025, associada a políticas de imigração mais rígidas e a uma repressão ao direito de protesto. A HRW ressalta que o tom anti-imigração alimenta debates de direita amplos na Europa.

O estudo ressalva que a atuação dos EUA, combinada aos movimentos de Rússia e China, coloca em risco a ordem internacional baseada em regras. A partir dessa constelação, a HRW defende a formação de uma coalizão de democracias para defender normas globais e o funcionamento de tratados.

Para a HRW, a proteção de direitos exige ação de governos, organizações da sociedade civil e população. O relatório enfatiza a importância de manter instituições independentes e de promover alianças que fortaleçam o direito internacional e o respeito aos direitos humanos.

Como exemplo de mobilização restauradora, a HRW aponta protestos contra políticas de imigração em cidades norte-americanas e manifestações em Irã, Moçambique e outros países, que surgem em meio a crises econômicas e sociais. A organização ressalta o papel da sociedade civil na cobrança por transparência e direitos.

O documento conclui que a recessão democrática é o desafio de uma geração. A HRW alerta que, sem respostas coletivas, a proteção de direitos pode regredir em várias regiões, com impactos globais sobre governança, segurança e desenvolvimento.

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