- A Malásia manteve relações relativamente cordiais com os Estados Unidos durante a gestão de Donald Trump, sem abrir mão de seus princípios.
- O país conseguiu tarifas de 19% para seus produtos, iguais às de Cambódia, Indonésia, Filipinas e Tailândia.
- Anwar Ibrahim cultivou relação pessoal com Trump durante a cúpula da ASEAN em Kuala Lumpur, incluindo a assinatura de um acordo de paz entre Cambódia e Tailândia.
- A Malásia não é aliada por tratado, o que reduz obrigações formais e expectativas de alianças dos Estados Unidos.
- Também houve acordo para ampliar o acesso dos EUA a minerais críticos da Malásia, sustentado por uma visão de mundo compartilhada e pela preferência de Trump por relações sem compromissos pesados.
O governo da Malásia conseguiu manter relações relativamente cordiais e produtivas com os Estados Unidos durante a gestão de Donald Trump, mesmo diante de mudanças abruptas na política externa americana. A ideia é que a convivência se baseia em interesses comuns, menos na obrigação de aliança formal.
Segundo análises, o segredo está em combinar uma visão de mundo compartilhada, contato pessoal e o fato de a Malásia não ser aliada sob uma aliança militar. Esse conjunto facilita negociações sem exigir concessões de alianças que complicariam a autonomia Kuala Lumpur.
A aproximação ganhou tração após a participação de Anwar Ibrahim em reuniões com Trump durante a cúpula da ASEAN em Kuala Lumpur, em outubro de 2025. O encontro possibilitou a assinatura de acordos comerciais e de cooperação.
Entre os acordos, destacam-se tarifas preferenciais para produtos malaios, em torno de 19%, alinhadas a camadas regionais, e um acordo com Cambodja e Tailândia para ampliar o acesso dos EUA a minerais críticos. Esses itens são prioritários para Trump.
A relação também envolve visitas oficiais: o secretário de Estado, Marco Rubio, visitou a Malásia no verão anterior, ainda que por pouco tempo. A visita ajudou a preparar a presença de Trump na cúpula da ASEAN.
Durante o encontro, Anwar e Trump também trabalharam para acalmar tensões regionais, com foco no papel da Malásia na ASEAN e em salvaguardas sobre disputas no Sudeste Asiático. A liderança local buscou manter a cooperação sem comprometer princípios nacionais.
##### Mudança de tema: impacto regional
Analistas destacam que a relação de Kuala Lumpur com Washington é diferenciada por não exigir alianças formais. Em vez disso, o país se posiciona como parceiro estratégico com autonomia, o que facilita negociações em temas sensíveis como comércio, mineração e segurança regional.
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