- Estudo indica que cortes na ajuda externa podem provocar 22,6 milhões de mortes a até 2030, incluindo 5,4 milhões de crianças com menos de cinco anos, caso a ajuda caia para metade dos níveis atuais até o fim da década.
- Três cenários foram considerados: contínuo (situação atual), defunding brando (queda similar ao que houve nos últimos anos) e defunding severo (queda para cerca de metade dos níveis de 2025).
- No cenário severo, seriam 22,6 milhões de mortes a mais; no brando, seriam 9,4 milhões, com 2,5 milhões entre crianças.
- Países doadores, entre eles Estados Unidos e Reino Unido, anunciaram cortes significativos. Os EUA reduziram a ajuda de 68 bilhões de dólares para 32 bilhões em 2025, e o Reino Unido prevê reduzir o gasto de 0,5% para 0,3% do PIB até 2028.
- Pesquisadores ressaltam que reduções de ajuda já prejudicam áreas como HIV/Aids, malária e desnutrição, e que governos deveriam reconsiderar os cortes para evitar impactos em saúde global.
Ao menos 22,6 milhões de mortes adicionais poderiam ocorrer até 2030 se cortes de ajuda externa persistirem, segundo modelagem abrangente publicada na Lancet Global Health. Entre elas, 5,4 milhões seriam crianças com menos de cinco anos.
O estudo relaciona o quanto a ajuda recebida por países em desenvolvimento influencia as taxas de mortalidade entre 2002 e 2021 e projeta cenários futuros. O pior cenário prevê redução abrupta dos recursos até o fim da década.
Em cenários de defunding moderado, seriam estimadas 9,4 milhões de mortes extras, incluindo 2,5 milhões entre crianças. O cenário severo assume queda pela metade até 2025 e permanece assim até 2030.
A pesquisa aponta que, historicamente, o aumento de recursos de ajuda contribuiu para queda de mortalidade infantil por doenças infecciosas, desnutrição e mortalidade materna. Ressalta riscos de reversão com cortes recentes.
Aos governos, incluindo EUA e Reino Unido, cabe analisar impactos de cortes orçamentários. Dados indicam redução de mais de 50% no aporte americano em 2025, e queda de gastos britânicos de 0,5% para 0,3% do PIB até 2028.
Caso a tendência siga, efeitos adversos poderiam afetar programas de HIV, malária, saúde materna e infantil, prejudicando sistemas de saúde em países vulneráveis. O estudo reforça que as evidências sobre ODA são centrais para políticas.
Gideon Rabinowitz, da Bond, afirma que reduções de financiamento já impactam programas de HIV e saúde reprodutiva. Ele aponta que a ajuda externa é investimento de longo prazo para saúde global e estabilidade.
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