- Cerca de 58% dos 2,15 milhões de muçulmanos adultos nos EUA são imigrantes, segundo o Pew Research Center.
- A Lei de Imigração de 1965 abriu espaço para fluxos do Oriente Médio, África e Ásia; em 2026, o prefeito de Nova York, Zohan Mamdani, tornou‑se o primeiro muçulmano a governar a cidade, jurando com o Alcorão.
- A presença islâmica nos EUA começou na época colonial com escravizados muçulmanos africanos; documentos históricos citam Omar Ibn Said como um dos primeiros muçulmanos literatos no país e mostram repressão religiosa na época.
- O Islã afro‑americano ganhou força nas décadas de cinquenta e setenta, associada a movimentos de direitos civis e à Nação do Islã; hoje cerca de vinte por cento dos muçulmanos dos EUA são afro‑americanos, com muitos convertidos.
- A islamofobia tem aumentado, com oito mil seiscentas oitenta‑três queixas em 2025; fatores incluem políticas externas e conflitos no Oriente Médio, além de impactos da Guerra ao Terror e vigilância de mesquitas.
Muçulmanos vivem nos Estados Unidos há séculos, com presença histórica que remonta à escravidão. Dados atuais indicam que cerca de 58% dos muçulmanos adultos no país são imigrantes, segundo o Pew Research Center.
A imigração muçulmana ganhou impulso após a Lei de Imigração de 1965, que substituiu políticas baseadas na origem por critérios de família e qualificação. A reforma alterou a demografia do país, abrindo espaço a comunidades do Oriente Médio, Ásia e África.
Ao tomar posse como prefeito de Nova York em janeiro de 2026, Zohan Mamdani tornou-se o primeiro muçulmano a governar a maior cidade dos EUA, jurando com o Alcorão. Sua origem remonta a imigrantes indianos.
História antiga
O Islã chegou aos EUA antes de portos e aeroportos, em porões de navios negreiros. Estudos apontam que entre 15% e 30% dos negros escravizados eram muçulmanos, com práticas religiosas mantidas em segredo sob restrições do período colonial.
Casos documentados incluem Omar Ibn Said, escravizado levado do atual Senegal para a Carolina do Norte, que escreveu versos do Alcorão em árabe. Práticas religiosas foram reprimidas por leis que limitavam a transmissão do Islã entre gerações.
Retomada afro-americana
A partir das décadas de 1950 e 1970, o Islã voltou a ganhar expressão entre afro-americanos, em parte como alternativa ao cristianismo dominante. A Nação do Islã teve papel central na difusão em áreas urbanas e prisões.
Figuras como Malcolm X e Muhammad Ali ajudaram a ampliar a presença islâmica no país. Hoje, afro-americanos representam cerca de 20% da população muçulmana dos EUA, com muitos convertidos entre essa parcela.
Islamofobia e contexto atual
Relatórios recentes indicam aumento de discriminação anti-muçulmana e anti-árabe, especialmente no âmbito do emprego, imigração e segurança. A política externa no Oriente Médio é apontada como fator que amplifica preconceitos internos.
Especialistas destacam o impacto histórico do 11 de setembro e da Guerra ao Terror, que contribuíram para vigilância de mesquitas e estigmatização de muçulmanos como grupo religioso. Hoje, pesquisas apontam maior percepção de discriminação entre muçulmanos nos EUA.
Perspectivas demográficas e sociais
Dados do Pew indicam que o Islã continua a ser uma religião minoritária no país, com cerca de 2% da população. As redes comunitárias e organizações islâmicas ajudam a moldar identidade, participação cívica e respostas a preconceitos.
A pesquisa também sugere que a presença muçulmana envolve origens diversas, incluindo comunidades da África Subsaariana, Ásia e América do Norte, reforçando a variedade de vertentes dentro do Islã nos Estados Unidos.
Observações finais
Especialistas destacam que a atuação de políticas externas e o contexto de conflitos internacionais influenciam a percepção sobre muçulmanos no território americano. Essas dinâmicas, porém, coabitam com avanços demográficos, culturais e religiosos que definem o Islã nos EUA hoje.
Entre na conversa da comunidade