- Dois membros da equipe da Human Rights Watch focada em Israel e Palestina renunciaram após a diretoria bloquear um relatório que classifica a negação do direito de retorno dos refugiados palestinos como crime contra a humanidade.
- O relatório, elaborado por Omar Shakir e Milena Ansari, foi pausado para revisão adicional “para fortalecer fundamentos factuais e legais”.
- Shakir afirmou ter perdido a fé na integridade do trabalho e na aplicação da lei; Ansari também pediu demissão; a decisão ocorreu durante a passagem de Bolopion para diretor executivo.
- A organização disse que o relatório passou por oito departamentos e que houve preocupações sobre o escopo e o impacto reputacional; o bloqueio gerou protestos internos.
- Mais de duzentos funcionários assinaram uma carta criticando o processo de revisão; a HRW reiterou o compromisso com o direito de retorno, ressaltando que o caso envolve questões legais complexas.
Dois funcionários da Human Rights Watch (HRW) responsáveis pela equipe de Israel e Palestina entregaram seus cargos após a liderança ter pausado a publicação de um relatório que afirma que negar o direito de retorno aos refugiados palestinos é crime contra a humanidade. O material já estava em elaboração desde 2025 e foi retirado do ar para revisão adicional.
O relatório, ainda não divulgado, propunha que a negação do retorno caracteriza um crime contra a humanidade na linha do
Regime internacional. A equipe, composta por Omar Shakir, que liderou o time, e Milena Ansari, pesquisadora assistente, concluiu o documento em agosto de 2025, passando por várias checagens internas antes de receber o aval final.
A decisão de interromper a publicação foi tomada durante o período de transição de liderança na HRW, com o novo diretor executivo, Philippe Bolopion, já em posição. A organização afirmou que o tema envolve questões complexas de pesquisa e direito, exigindo análises adicionais.
Contexto: o que motivou a polêmica envolve o direito de retorno, tema defendido pela HRW, e controvérsias sobre como apresentar a relação entre esse direito e a qualificação de crimes contra a humanidade. A discordância interna ganhou visibilidade a partir de mensagens de staff e discussões sobre a linguagem jurídica adotada.
Segundo relatos, houve preocupação com impactos reputacionais e com a forma de apresentar o argumento jurídico, que alguns colegas consideraram potencialmente prejudicial à imagem de neutralidade da monitoria de direitos humanos. A direção pediu uma revisão independente para entender o que aconteceu e o que aprender com o episódio.
Detalhes da pesquisa apontavam que o relatório abordaria refugiados palestinos em Gaza, na Cisjordânia e em países vizinhos, incluindo comunidades que remontam a 1948 e 1967. O documento buscava relacionar a negativa de retorno a uma gama de violações de direitos humanos, em especial para os mais vulneráveis.
Reações internas chegaram a mobilizar mais de 200 funcionários em uma carta de protesto, defendendo a integridade dos processos de avaliação da HRW. A organização reiterou que seus procedimentos internos visam assegurar a robustez das conclusões e a proteção da credibilidade em pesquisas sensíveis.
Histórico da equipe e desfecho: Shakir liderava a área há quase uma década e Ansari atuava como pesquisadora, função que exerce desde o início de 2025. A decisão de pausar o relatório coincidiu com a transição de liderança e com críticas a procedimentos de revisão interna.
Conseqüências: as resignações da dupla provocaram repercussão no cenário de direitos humanos, especialmente em meio a um momento de renovação institucional na HRW. A organização segue afirmando que a análise está em andamento e que a defesa do direito de retorno para todos os palestinos permanece como política de longo prazo.
Observação: o conteúdo se baseia em reportagens que acompanharam o caso, incluindo material publicado por veículos parceiros. A HRW não divulgou detalhes adicionais sobre o andamento da análise nem sobre eventuais novas datas de publicação.
Entre na conversa da comunidade