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Fim do pacto nuclear EUA-Rússia: próximos passos

Com o fim do New START, EUA e Rússia operam sem teto de ogivas, elevando incertezas sobre corrida nuclear e impactos globais

Relação de Vladimir Putin e Donald Trump volta a esfriar após o fracasso na organização de um novo encontro. Foto: Olga MALTSEVA e SAUL LOEB / AFP
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  • O prazo para renovar o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New START) expirou na quarta-feira, dia quatro, sem sinal de renovação entre Moscou e Washington.
  • Russia e Estados Unidos continuam com arsenais muito acima do teto do acordo: mais de cinco mil ogivas cada um; o tratado limitava a 1.550 ogivas e 800 sistemas de lançamento.
  • O presidente Donald Trump tem defendido incluir a China nas negociações e afirmou que, se o pacto vencer, ele “vai expirar” e poderá surgir um novo acordo.
  • A China rejeita a demanda, afirmando que sua capacidade nuclear não é comparável à dos EUA e que a proposta não é justa.
  • A Rússia já anunciou estar pronta para uma nova realidade sem limites, e críticas sobre o fim do tratado aumentam receios de uma corrida armamentista.

O fim do tratado New START, que desde a Guerra Fria restringe o arsenal nuclear de Rússia e Estados Unidos, acende o temor de uma nova corrida armamentista. O prazo para renovar o acordo expira nesta quarta-feira. A ausência de sinalização de renovação contribui para a incerteza sobre o futuro do controle de armas.

O tratado limita o arsenal estratégico de cada país a 1.550 ogivas e 800 sistemas de lançamento, mas não impede totalmente arsenais adicionais mantidos fora de operação. Rússia e EUA acumulam hoje centenas de armas além desses números, por meio de estoque e desativação. Moscou lidera com 5.459 ogivas, os EUA possuem 5.177.

Trump defende um novo acordo que inclua a China, argumento que vem sendo destacado pelo presidente americano desde janeiro. Em entrevista ao New York Times, ele afirmou que, se o tratado expirar, haverá um novo acordo. Pequim, porém, rejeita a inclusão de Pequim na negociação.

A China argumenta que sua capacidade nuclear não é comparável à dos EUA, citando discrepâncias de escala. Um porta-voz do governo de Xi Jinping afirmou que a demanda de Washington não é justa nem razoável. Em 2023, Pequim teria desenvolvido cerca de 100 novas ogivas, aumentando o ritmo de crescimento.

Do lado russo, Vladimir Putin já propôs a renovação do New START por mais um ano, em setembro de 2025. Nesta semana, o vice-ministro Sergei Ryabkov afirmou que a Rússia está pronta para uma realidade sem limites entre as duas maiores potências nucleares. A posição federal enfatiza a falta de resposta como sinal de cansaço.

O histórico dos acordos START remonta ao START 1, assinado em 1991 e efetivo em 1994, durante a transição soviética. O START 2 foi abandonado na virada do século, e o New START foi assinado em 2010 por Obama e Medvedev, entrando em vigor no ano seguinte. Inspeções e trocas de dados compunham o escopo do pacto.

A suspensão de inspeções, iniciada em 2020 pela Covid-19, foi agravada pela invasão da Ucrânia, com Moscou recusando visitas e dados. Washington e seus aliados também interromperam o compartilhamento de informações, reduzindo o funcionamento do mecanismo de verificação.

Especialistas alertam que, sem o acordo, cada país pode ampliar significativamente seus arsenais, o que eleva o risco de erro de interpretação e de uso acidental. Analistas da Federação de Cientistas Americanos e da Associação de Controle de Armas apontam aumento da tensão e da competição estratégica.

Risco adicional é o impacto sobre o Tratado de Não Proliferação Nuclear, com revisão prevista para 2026. A ICAN afirma que o fim do New START pode piorar a possibilidade de uma corrida armamentista, ampliando a instabilidade mundial. As mudanças ocorrem em meio a tensões europeias e regionais.

Risco global

Na educação estratégica europeia, há conversas sobre defesa nuclear europeia entre França, Alemanha e Reino Unido. A tensão de Moscou envolve possíveis pressões para incluir mais nações próximas aos EUA em novos acordos. A conjuntura atual mantém o foco no equilíbrio entre dissuasão e desarmamento.

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