- Rodada de negociações em Abu Dhabi reuniu Ucrânia, Rússia e Estados Unidos nesta quarta-feira, com o objetivo de avançar rumo a uma paz duradoura.
- O principal obstáculo é o destino do leste ucraniano: Moscou quer que Kiev retire forças de grande parte do Donbass e reconheça territórios tomados; a Ucrânia rejeita retirada unilateral.
- Kiev defende congelar o conflito nas linhas atuais de frente e não aceitar ceder território.
- O Kremlin afirmou que continuará a ofensiva até que a Ucrânia aceite as condições e reivindica as regiões de Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia como próprias.
- O diretor de inteligência militar russo Igor Kostiukov foi indicado para as negociações; nos EUA, foram enviados Steve Witkoff e Jared Kushner.
Representantes da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos reuniram-se novamente em Abu Dhabi nesta quarta-feira para avançar nas negociações sobre o fim do conflito que perdura desde 2022. O encontro busca firmar uma paz estável, após múltiplas rodadas sem acordo. A reunião ocorreu no contexto de forte pressão internacional pela conclusão do conflito.
Na prática, o principal ponto de impasse envolve o destino do território no leste da Ucrânia. Moscou exige retirada das forças ucranianas de grande parte da região do Donbass e o reconhecimento internacional das terras tomadas. Já Kiev defende que as linhas atuais devam funcionar como base de um possível congelamento do conflito, sem retirada unilateral.
O Kremlin afirmou que continuará a ofensiva até que a Ucrânia aceite as condições apresentadas. Enquanto isso, a delegação ucraniana, liderada por Rustem Umerov, busca garantias de que a paz não implique novos ganhos territoriais para Moscou. Igor Kostiukov, oficial de inteligência militar russo, participa das negociações.
Pontos em disputa
Entre os envolvidos, o governo norte-americano enviou Steve Witkoff, representando o presidente dos EUA, e o genro de Witkoff, Jared Kushner, como emissários. A Rússia participa com a posição de manter ações militares até obter acordo aceitável para Moscou. A Ucrânia mantém a exigência de não ceder territórios em troca de cessar-fogo.
Em termos de quadro militar, a Ucrânia afirma ter controle de cerca de 20% da região de Donetsk, enquanto a Rússia ocupa quase 20% do território ucraniano. Observadores indicam que, sob o ritmo atual, a conquista completa de Donbass poderia levar meses, com zonas urbanas fortificadas ainda sob controle ucraniano.
Ataques recentes elevaram a tensão: na região de Zaporizhzhia, três mortes foram registradas; em Dnipropetrovsk houve duas vítimas, e em Odessa houve danos a prédios residenciais, sem fatalities, conforme autoridades locais. A rede energética de Kiev também segue sob pressão, com cortes recorrentes de energia.
A liderança ucraniana, encabezada por Volodymyr Zelensky, solicita apoio ocidental adicional, incluindo armamento e pressões econômicas sobre Moscou. A população enfrenta impactos diretos do conflito, com cortes de aquecimento afetando centenas de milhares de pessoas durante o inverno.
No contexto diplomático, após a primeira rodada de Abu Dhabi, moradores locais expressaram ceticismo quanto a um acordo imediato, sugerindo que a negociação pode ser usada como demonstração. As partes reiteram o objetivo de alcançar uma paz duradoura, sem indicar prazo para um desfecho definitivo.
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